Durante o julgamento no Tribunal do Júri, em Curitiba, o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho falou na noite desta terça-feira (27) sobre o acidente que matou Gilmar Rafael Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, na madrugada do dia 7 de maio de 2009, em Curitiba. Carli Filho é acusado de duplo homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar).

Ele negou que disputava racha na noite do acidente, afirmou que não tinha a intenção de matar, mas confessou que bebeu antes da colisão entre os veículos. "Eu errei, eu bebi, eu dirigi", declarou. Em seguida, Carli Filho pediu desculpas às mães das vítimas. "Eu sei que eu nunca tive a oportunidade de pedir desculpa para a dona Christiane e para a dona Vera. Quero hoje poder pedir desculpas pelo que eu causei". O julgamento será retomado na manhã desta quarta-feira (28) às 9h30.

Imagem ilustrativa da imagem Carli Filho confirma que dirigiu embriagado e pede desculpas às mães das vítimas
| Foto: Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo



Deputada federal e mãe de uma das vítimas, Christiane Yared foi dispensada da condição de testemunha por questões emocionais. "O júri vai acabar e a vida vai continuar. Conheço mães que perderam os três filhos em acidentes. Eu vou continuar lutando", afirmou à imprensa.

A primeira testemunha chamada pela acusação foi o médico cardiologista Eduardo Missel, que jantou com Carli Filho antes do acidente. Silva estava acompanhado da namorada. Ele relatou que o casal pediu quatro garrafas de vinho e foi embora por volta da meia-noite.

"Minha namorada tinha bebido pouco decidimos q ela ia dirigir. Na saída do restaurante conversamos para ele (Carli) deixar carro em outro estacionamento. Inicialmente, ele entrou no carro depois mudou de ideia e pegou o carro dele", afirmou.

A versão foi confirmada por um funcionário do restaurante. O porteiro Altevir Santos disse que Carli Filho saiu do restaurante "alterado, trançando as pernas" com uma taça na mão.

"Quando viu o carro dele, ele saltou do carro do casal. Nunca fiz isso de sair atrás de um cliente. Segurei ele para não bater a cabeça na árvore. Falei para ele ir com o casal. Infelizmente, não deu ouvidos. Fiz de tudo, senti que não era uma coisa boa", relatou.

O motorista Leandro Lopes Ribeiro também foi chamado como testemunha. Ele dirigia atrás do Honda Fit das vítimas na rua Paulo Gorsky. "Perto da rápida, eles praticamente pararam, entraram na rápida e veio outro carro em altíssima velocidade com os quatro pneus fora da pista. Foi tão rápido que eu não vi o farol". De acordo com a testemunha, o Passat de Carli Filho bateu atrás do Honda e foi parar na frente. "Percebi parte do crânio de uma das vítimas", lembrou o condutor, que ligou para o Siate.

Ex-deputado estadual chega ao Tribunal do Júri em Curitiba
Ex-deputado estadual chega ao Tribunal do Júri em Curitiba | Foto: Theo Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo




PERÍCIA


Perito contratado pela família Carli, Ventura Raphael Martelo Filho questionou o trabalho da Criminalística e disse que era impossível confirmar a velocidade que o veículo Passat trafegava pela rua Ivo Zanlorenzi. Sobre o velocímetro a 190 km/h, ele respondeu que "com a colisão há uma aceleração muito forte em curto período de tempo, o ponteiro pode ser projetado para qualquer lugar".

Na avaliação dele, a velocidade necessária para qualquer veículo decolar naquele local seria de 250 km/h. O perito argumenta que a velocidade máxima do Passat conduzido por Carli Filho era de 227 km/h.

Martelo Filho ainda alegou que não houve danos nos veículos para justificar que o carro teria decolado e batido no outro veículo. Na análise dele, o automóvel do ex-deputado teria atingido 136 km/h no local do acidente. (Com informações do repórter José Marcos Lopes)

(Atualizada às 23h30)

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