Carismáticos estão na mira da CNBB
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sábado, 08 de julho de 2000
Roldão Arruda Agência Estado De São Paulo 
A direção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu nomear quatro bispos para acompanhar e assessorar a Renovação Carismática Católica (RCC), o movimento de leigos que mais cresce no País. Até agora esse trabalho era feito por apenas um bispo e a mudança é vista como uma tentativa da conferência de obter maior controle sobre o movimento. Isso estaria ocorrendo porque uma parte do episcopado ainda vê a ação dos carismáticos com restrições.
A decisão surpreendeu os carismáticos, que até agora vinham sendo assessorados por dom Alberto Taveira Corrêa. Bispo da Diocese de Palmas, Tocantins, dom Alberto era bastante identificado com o movimento. Com a troca da direção da CNBB, no ano passado, ele teve que colocar o cargo à disposição do presidente, dom Jayme Chemello. Para o seu lugar foram nomeados dom Mauro Montagnolli, de Ilhéus, dom Eduardo Koaik, de Piracicaba, dom Paulo Pontes, de São Luís e dom João Braz de Aviz, de Ponta Grossa.
O perfil dos escolhidos também surpreendeu. Entre os quatro, o único que tem afinidades com a RCC é o bispo de Ponta Grossa. A história dos outros três sempre esteve mais próxima da Comunidade Eclesial de Base (CEB), que também é um movimento leigo, mas de orientação diferente da renovação.
A comissão de bispos já manteve um primeiro encontro com os representantes dos carismáticos, na sede da CNBB, em Brasília. Durante a conversação, ficaram conhecendo alguns dos principais motivos pelos quais os bispos fazem restrições ao movimento.
Foram citados os shows para grandes multidões com padres cantores, sem um posterior acompanhamento dos participantes, na tentativa de evangelizá-los; a pouca atenção que a renovação dá às questões sociais; e a montagem de uma estrutura de ação paralela à das paróquias e dioceses. Os carismáticos teriam, por exemplo, um programa específico para jovens, paralelamente à Pastoral da Juventude, da CNBB.
Na ocasião, os carismáticos esclareceram que, embora participem dos shows dos padres cantores, eles não são os organizadores desses eventos. Também disseram que a RCC está atenta para os problemas sociais. Segundo a liderança carismática, o movimento mantém no País cerca de 400 iniciativas na área de assistência social. Finalmente, observaram que seguem a orientação dada por João Paulo II, para que os movimentos leigos não percam sua identidade. É por isso que organizam movimentos para jovens e outros grupos, de acordo com a linha pentecostal que anima a renovação.
Foi um encontro aberto e fraterno, segundo um de seus participantes, dom Eduardo Koaik. Eles são muito receptivos à orientação da Igreja, afirmou. O bispo também disse que a CNBB indicou uma comissão episcopal, em vez de apenas um bispo, porque a renovação cresceu bastante.
O presidente do conselho nacional da RCC, Reinaldo Beserra dos Reis, também gostou do primeiro encontro. Eles foram muito amáveis, declarou. Uma nova reunião está prevista para agosto.


