A proposta brasileira sobre o lema latino-americano que deverá ser levado à Cúpula de Desenvolvimento Sustentável na África do Sul em 2002 foi rejeitada ontem pelos países do Caribe. O slogan, que inicialmente pedia uma ''globalização sustentável'', foi trocado por ''uma nova globalização que garanta desenvolvimento inclusivo, equitativo e sustentável''.
A nova redação foi o resultado de uma longa negociação durante a Conferência Preparatória Regional que acabou ontem, no Rio de Janeiro, a plataforma de intenções que será levada a Johannesburgo. Os países caribenhos criticaram o discurso do presidente Fernando Henrique Cardoso, que ontem falou sobre a necessidade de uma ''globalização sustentável e menos desigual''.
Segundo os representantes dos países do Caribe, a afirmação é contraditória porque a globalização tem sido causadora de pobreza e marginalizado as populações dos países em desenvolvimento. ''Nós concordamos em falar de uma nova globalização, que não é a que existe hoje porque essa só trouxe exclusão e miséria'', afirmou Diane Quarless, da delegação da Jamaica.
A ''Plataforma de Ação do Rio de Janeiro em direção a Johannesburgo-2002'' ainda será discutida em quatro reuniões mundiais que antecedem a cúpula da ONU. Mas a posição da América Latina foi fechada ontem. ''Tivemos que mudar a nossa proposta no último momento, mas conseguimos trocar a redação e acho que, agora, conseguimos agradar a todos'', disse Everton Vargas, representante do Itamaraty na comissão que elaborou a plataforma.
Por volta do meio-dia, houve uma correria nos escritórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para mudar o texto final. O diretor regional do Pnuma, Ricardo Sanchez, foi obrigado a consultar o seu chefe, o diretor-geral Klaus Toepfer. ''Eles (os países do Caribe) acharam que a posição do presidente FHC estava muito leve e pressionaram para que o discurso fosse mais contundente, mais crítico em relação à globalização e aos países desenvolvidos'', afirmou.
A plataforma dos países da América Latina e Caribe não menciona a proposta, defendida anteontem pelo ministro do Meio Ambiente (José Sarney Filho), de que os países desenvolvidos concedam descontos nas dívidas externas dos países pobres em troca de compromissos desses países com metas ambientalistas, mas o ministro Celso Lafer (Relações Exteriores) afirmou ontem que o tema será defendido na África do Sul. ''É uma idéia em andamento, que não é nova e que sempre apoiamos'', afirmou. Segundo o ministro, a Rio + 10, como é chamada a cúpula, será um fórum que não vai levar novas propostas, mas vai tentar cobrar os compromissos assumidos na Rio-92.

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