Rio Grande, RS, 23 (AE) - O cargueiro Bahamas foi interceptado em alto-mar e conduzido para local desconhecido hoje, dia em que deveria ser afundado. Rebocado do porto de Rio Grande (RS), o barco foi retomado pela empresa suiça Chemoil International.
Insatisfeita com a decisão de provocar o naufrágio do Bahamas, a firma proprietária do navio contratou o rebocador Salvage Giant, de Taiwan, para levar a embarcação avariada até, provavelmente, um porto da Grécia.
As autoridades portuárias do Brasil admitiram a troca de planos desde que ocorresse fora das águas territoriais do País. O Bahamas esteve a ponto de provocar um acidente ecológico de proporções imprevisíveis em Rio Grande, onde chegou em agosto, com um carregamento de 12 mil toneladas de ácido sulfúrico e um rombo no casco.
A Chemoil retomou o Bahamas depois de negociação com a empresa de salvatagem holandesa Smit Tak. Responsável por fazer o Bahamas flutuar novamente com a utilização de 28 imensos airbags, a Smit Tak hesitou em entregar o controle do barco, mas acabou cedendo e retirando seus equipamentos da embarcação. As informações foram veiculadas pela RBS/TV, de Porto Alegre, que acompanhou a operação a bordo do barco Atlântico Sul.
Em alto mar, os homens da Smit Tak esvaziariam as bóias, permitindo que o cargueiro fosse sepultado no oceano. Há dúvidas se o Bahamas conseguirá atingir terra firme nas péssimas condições em que está. A Polícia Federal desconfiou da intensidade do interesse da Chemoil pela embarcação condenada - mas sob seguro - levantando a suspeita de que o Bahamas, com 110 metros de comprimento, possa conter algo de muito valor, que permaneceria oculto.
Deixando o cais de Rio Grande na terça-feira (20), o Bahamas seria afundado ontem. O naufrágio provocado foi a solução proposta pelos técnicos diante das avarias na estrutura do navio, consequência do derramamento do ácido e sua mistura com a água do mar.
De bandeira maltesa, o barco encalhou no cais do Porto Novo, em Rio Grande, em 28 de agosto. Temendo-se o risco de uma explosão, 9 mil toneladas foram despejadas na água até que a mobilização dos ecologistas, partidos políticos e sindicatos de trabalhadores chamasse a atenção para o fato. Uma decisão da Justiça Federal impediu a continuidade do despejo e ordenou o bombeamento do restante da carga.

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