Cargueiro Bahamas vai ser afundado em alto mar
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Ayrton centeno 
Porto Alegre, 20 (AE) - Começou hoje a remoção para alto mar do cargueiro Bahamas, encalhado há oito meses no porto de Rio Grande (RS). A embarcação, que transportava 12 mil toneladas de ácido sulfúrico, encalhou em agosto passado no cais do Porto Novo. Por causa de um vazamento e risco de explosão, cerca de nove mil toneladas do líquido foram despejadas no mar, ameaçando a Lagoa dos Patos. O Bahamas, com bandeira de Malta, será afundado a 500 quilômetros da costa. Quatro rebocadores e cem pessoas trabalham na operação que só termina sexta-feira quando o navio chegará ao local escolhido para o naufrágio. Vinte e oito bóias infláveis colocadas nos tanques de carga foram utilizadas para fazer o barco flutuar novamente.
O cargueiro apresenta rombos na parte inferior do casco. Caso o mar esteja agitado, haverá risco do Bahamas partir-se ao meio. A submersão no meio do oceano foi a solução apontada pelos técnicos como a menos prejudicial, diante da destruição interna e externa, depois que o ácido sulfúrico entrou em contato com a água e formou um composto altamente corrosivo. A empresa suíça Chemoil International, proprietária da embarcação, tentou interromper o processo, desautorizando a firma de salvatagem Smit Tak, da Holanda, a prosseguir a operação. Uma decisão da Justiça Federal, de Rio Grande, garantiu a continuidade da remoção.
Carregado com 12 mil toneladas do ácido trazido da Austrália, o Bahamas encalhou no cais do Porto Novo, em Rio Grande, Sul do Estado, no dia 28 de agosto de 1998. Como havia vazamento do ácido e risco de explosão, a Capitania dos Portos, órgãos do governo estadual e federal, empresas envolvidas e técnicos da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg) acharam menos danoso jogar a substância na água, mesmo com a ameaça de uma tragédia ambiental. Cerca de nove mil toneladas foram despejadas no mar, sob protestos de entidades ambientalistas e dos pescadores profissionais da região, que tiveram que interromper sua atividade. O restante foi bombeado. Na época, o professor de ecologia da Furg, Antônio Philomena, criticou a decisão, entendendo que a ameaça de explosão foi superdimensionada para possibilitar o derramamento.
O comandante do navio, Volodymyr Kisnitchan, redigiu relatório afirmando que o acidente nos tanques de ácido ocorreu no dia 25 daquele mês, em alto mar. A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF) recebeu uma carta, que teria sido remetida por tripulantes do Bahamas, confirmando que o vazamento ocorreu antes do navio atracar em Rio Grande. Apesar da ameaça, o barco rumou para o porto brasileiro.
A organização ambientalista Greenpeace apurou que o Bahamas evitava os portos melhor fiscalizados do hemisfério norte desde novembro de 1995, optando pelas águas do Sul da ásia
Oriente Médio e América do Sul. Nestas regiões, segundo o Greenpeace, a inspeção dos barcos e a aplicação das leis marítimas é "mais fraca". Constatou-se também que o navio trocara de bandeira quatro vezes desde sua construção, em 1970, em um estaleiro da Noruega. Em Rio Grande navegava sob a bandeira de Malta. Em 1992, teve problemas no Panamá, onde ficou retido por causa de dívidas. De acordo com a ONG, o Bahamas nunca sofreu manutenção pormenorizada.


