Carga de plutônio ameaça oceanos
Agência Estado
De São Paulo
Dois navios carregados com plutônio fazem uma arriscada viagem da Europa ao Japão, nas próximas três ou quatro semanas, e uma das rotas alternativas passa pelo Brasil. O primeiro navio deixou o porto de Barrow, na Inglaterra, na última segunda-feira, com um atraso de 12 horas provocado por protestos do Greenpeace. O segundo navio saiu ontem do porto de Cherbourg, na França.
O carregamento de plutônio seria suficiente para construir 60 bombas atômicas. Um milionésimo de grama do plutônio, se inalado, mataria uma pessoa. Qualquer acidente ou vazamento coloca em risco toda a vida dos oceanos na rota escolhida. O plutônio é um subproduto do processamento do urânio e segue para um novo tipo de usina nuclear japonesa.
O cabo-de-guerra entre os ambientalistas e a indústria nuclear chegou aos bancos: a British Nuclear Fuels obteve o bloqueio das contas do Greenpeace em Amsterdã, na Holanda, desde terça-feira à noite, para cobrir eventuais danos causados pela ação ambientalista.
De acordo com Ruy de Góes, do Greenpeace Brasil, há três rotas alternativas para os navios chegarem ao Japão: uma passa pelo canal do Panamá, outra dá a volta pelas costas do Brasil e Argentina, contornando o Cabo Horn pelo Chile e a terceira segue pela África, dobra o cabo da Boa Esperança e passa próximo da Nova Zelândia. Os navios são bombas flutuantes, porque, além do plutônio e dos canhões, carregam grande quantidade de combustível, disse Góes.
Bem distribuídos, cinco quilos deste plutônio seriam suficientes para acabar com a vida no Planeta. E o Greenpeace estima que haja 446 quilos nos dois navios.





