Carecas são suspeitos de outras agressões
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segunda-feira, 07 de fevereiro de 2000
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 07 (AE) - Os 18 skinheads acusados do assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 35 anos, são suspeitos de terem espancado vários homossexuais na região central de São Paulo. Silva foi espancado até a morte na Praça da República no início da madrugada de domingo.
Hoje a polícia recebeu telefonemas de pessoas que disseram ter sido vítimas dos "carecas" e prometeram comparecer ao 3.° Distrito, de Santa Efigênia, para tentar identificá-los por fotografia.
O delegado Francisco Misassi, titular do DP, que autuou os jovens por homicídio doloso e formação de quadrilha, explicou ter transferido os skinheads para diversos distritos policiais no fim da noite de domingo. "Tomei o cuidado de mandar dois para cada distrito com a recomendação de que podem correr risco de vida."A preocupação do delegado deve-se à conduta adotada pelos skinheads, que não toleram traficantes, nordestinos, negros e homossexuais. O policial disse ainda ter submetido os 18 jovens a exames de corpo de delito.
Depois de passar pelos exames, 16 rapazes e duas moças foram fotografados pelos policiais. "Faço isso para mostrar que saíram daqui sem um arranhão e as fotos também facilitam a identificação", explicou.
Sangue - Ainda de acordo com Misassi, nas roupas dos jovens não foram encontradas manchas de sangue da vítima. Havia a informação de que durante o espancamento - socos, pontapés, soco inglês e corrente de aço -, o adestrador de cães sofreu hemorragia e os jovens teriam tido suas camisas manchadas de sangue. Os médicos constataram ter sido hemorragia interna. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) com a causa da morte de Silva deve ficar pronto em oito dias.
Enterro - O corpo do adestrador de cães foi enterrado hoje em Itapevi. O pai dele, João Gabriel Raulino, negou no velório que seu filho fosse homossexual. "O Edson ficou viúvo do primeiro casamento, separou-se do segundo e levava uma vida normal, igual à de milhares de homens de 35 anos."
A polícia ainda não ouviu Dario Pereira, amigo de Silva, que estava com ele na hora da agressão. No endereço que a família do adestrador de cães passou para a polícia ninguém o conhece. Raulino espera que a Justiça condene os assassinos de seu filho o mais rápido possível. "Gostaria que os pais desses monstros vissem as fotos de como ficou o corpo de meu filho para saber que tipo de gente eles têm em casa."


