'Careca' defende site contra homossexuais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de julho de 2004
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- ''Somos conservadores e nos sentimos no direito de nos expressar. Não somos violentos e nem estamos incitando ao ódio contra os homossexuais. Não vemos nada de mal sermos contra uso de drogas, contra o homossexualismo e a favor da pátria'', defendeu-se ontem um dos integrantes do grupo de carecas de Curitiba, que colocou um texto no site do grupo contra os homossexuais, Jacir (ele preferiu não dizer seu sobrenome). A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT) denunciou ontem, por discriminação, a página ao Conselho Nacional Contra a Discriminação, vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato na última quarta-feira, quando produziu a primeira matéria sobre o assunto, com alguém responsável pelo site, mas conseguiu apenas enviar um e-mail, já que é a única forma de comunicação disponibilizada pelos carecas. Ontem Jacir entrou em contato com a Folha. ''Essa atitude nos faz lembra o tempo da ditadura'', reclamou. Jacir disse que o grupo é contrário à divulgação da homossexualidade e que essa ''forma'' de vida está, de certa maneira, ligada à promiscuidade. O integrante do grupo dos carecas fez questão de ressaltar que ''os homossexuais não são aceitos por eles, mas de forma alguma são perseguidos, muito menos com violência''.
Jacir também criticou o presidente da ABGLT, Toni Reis, por comparar a filosofia do grupo com a de Hitler, o nazismo. ''Parece até sensacionalismo. Hitler perseguia. Nós não fazemos isso e nem incentivam isso'', argumentou. Jacir diz que existem várias facções de skinheads (carecas) e que algumas podem ter até filosofias ligadas ao nazismo, à violência, mas não é o caso dos carecas de Curitiba. ''Muitas vezes nós somos agredidos, já que as pessoas têm uma visão ruim sobre a gente. Preferimos nem andar caracterizados por causa disso. Não dá para colocar a culpa de tudo que acontece em cima da gente. A sociedade é violenta.''
O site não é assinado, segundo Jacir, justamente para o grupo não ter problemas, já que não é ''possível se expressar livremente''. Também por isso que as fotos têm tarjas em todos os rostos. ''Tenho minha vida. Pago faculdade, ajudo a sustentar minha casa. Não tenho condições de gastar dinheiro com advogado. Meu orgulho não paga minha liberdade'', afirmou. O grupo carecas de Curitiba existe há dois anos, mas o site é recente, contou Jacir.
O presidente da ABGLT afirmou que ''o grupo dá a entender que os homossexuais são piores que os outros e que qualquer atitude nesse sentido está ligada sim ao nazismo''. ''Além disso, isso é uma violência psicológica e afeta nossa cidadania'', afirmou Toni Reis.


