São Paulo, 09 (AE) - O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT) apresentará, esta semana, pedido de prorrogação dos trabalhos por mais três meses. "É impossível terminar tudo em 30 dias", justificou Cardozo. A decisão, porém, cabe ao plenário.
O pedido deve abrir uma disputa política na Casa, ois há uma articulação para impedir o prosseguimento das investigações. A estratégia é fazer apenas os sacrifícios considerados inevitáveis e garantir uma resposta à sociedade frente às denúncias de corrupção. Mesmo assim, Cardozo está otimista. "Há um clima favorável entre os membros da Comissão para a prorrogação", diz o petista.
A previsão inicial é de que a CPI seja encerrada por volta do dia 11 de junho, o que, segundo Cardozo, impediria a investigação de muitas denúncias. "Não teremos tempo de trabalhar assuntos importantes, como o esquema do Plano de Atendimento à Saúde (PAS) e os funcionários fantasmas do Anhembi", exemplifica Cardozo. Dos membros da CPI, oficialmente apenas ele e Dalton Silvano (PSDB) são totalmente favoráveis à prorrogação.
Consenso - O relator da CPI, Milton Leite (PMDB) afirma que no momento é prematuro falar em continuidade dos trabalhos. "Ainda teremos 30 dias pela frente", diz. Segundo ele, a decisão de continuar ou não depende de um consenso entre os parlamentares. "É necessária uma grande discussão política entre todos os partidos", diz Leite.
Leite lembra que há vários pedidos paralelos de abertura de CPIs. "Assuntos que estão sendo tratados agora poderiam ser investigados em outras CPIs. "Não é viável sobrecarregar o trabalho sendo que há outros pedidos de Comissões na Casa", disse Leite.
O vereador Miguel Colasuonno (PPB) afirmou que a CPI só deve continuar caso não atrapalhe os demais trabalhos do Legislativo. "A Câmara não pode viver apenas em função da CPI"
disse o pepebista. "A prorrogação só será viável caso haja uma conciliação com os demais trabalhos em plenário", completou. Ele admitiu que possa haver uma articulação para encerramento das investigações o mais rápido possível. "É possível deduzir isso", disse Colasuonno.

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