Brasília, 16 (AE) - O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, irá coordenar uma ação integrada de combate ao narcotráfico na região conhecida como Polígono da Maconha, na divisa dos Estados de Pernambuco e Bahia. Serão desencadeadas a partir de sexta-feira (18) ações na área de prevenção, repressão ao plantio da droga, que contará com a atuação da Polícia Federal, Secretaria Nacional Anti-drogas (Senad) e as Forças Armadas.
Serão realizadas também ações de desenvolvimento para estimular que a população troque a atividade ilegal por outros projetos, financiados pelo Banco do Nordeste (BNB) A decisão foi tomada hoje em reunião da Câmara de Relações Exteriores e Defesa Nacional (Creden), da qual participaram o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Justiça, Renan Calheiros.
O controle das ações de combate ao narcotráfico é disputado pela área de inteligência do governo, liderada pelo general Cardoso, e a Polícia Federal, a quem constitucionalmente cabe a iniciativa.
A disputa provocou uma briga pública entre o general e o ministro Calheiros pela indicação do diretor-geral da PF, reações duras dos políticos do PMDB em defesa do ministro que é do partido e uma intervenção direta do presidente Fernando Henrique. O clima ainda está tenso, porque Fernando Henrique escolheu para o cargo o delegado João Batista Campelo, sobre o qual recaem suspeitas de ter praticado atos de tortura durante o regime militar. Hoje, Renan e o general Cardoso conversaram antes do início da reunião e marcaram um encontro para os próximos dias.
De acordo com o porta-voz, Georges Lamazire, na reunião de hoje o tema predominante foi o financiamento de ações de desenvolvimento na região do Polígono da Maconha, no projeto denominado Pajeú/Moxotó. "O presidente determinou prioridade para as ações nesta região", comentou o presidente do BNB, Byron de Queiroz, que será o executor dos programas de desenvolvimento. "Ao invés de tratar do problema apenas pelo aspecto repressivo, vai se criar condições de melhoria de vida das pessoas."
Segundo dados do governo, existem 350 mil pessoas na região (32 municípios), das quais 40 mil estão envolvidas no processo de plantação de maconha. O projetos serão discutidos diretamente com a população dos municípios por intermédio do Farol de Desenvolvimento, uma espécie de conselho no qual se discute as vocações de cada município: artesanato, agricultura, piscicultura, entre outros. Segundo Byron, o Banco atenderá à demanda da região, mas poderá disponibilizar até R$ 100 milhões.

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