Cardiologista contesta dados sobre stent
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008
Evandro Fadel<BR>Agência Estado 
Curitiba- O diretor clínico do hospital cardiológico Costantino Costantini, de Curitiba, Marcelo de Freitas Santos, rebateu ontem os resultados do estudo Courage (sigla em inglês para Resultados Clínicos que Utilizam Revascularização e Avaliação de Droga Agressiva), que apontou que não houve diferença na mortalidade nem no risco de enfarte entre pacientes com obstrução cardíaca tratados clinicamente e os que foram submetidos à angioplastia com stent (espécie de mola metálica que desobstrui e dilata as artérias). Isso gera muita expectativa em pacientes que receberam o stent, afirmou.
O estudo, publicado no New England Journal of Medicine, acompanhou 2.287 pessoas com artérias parcialmente obstruídas e angina estável, entre 1999 e 2004. Divididos em grupos, metade foi submetida a tratamento clínico rigoroso e a outra, além desse acompanhamento, teve a colocação do stent. Os resultados foram semelhantes. Houve a mesma mortalidade, mas os que receberam o stent tiveram melhor qualidade de vida, com menor dor no peito (angina), destacou Santos. Além disso, ressaltou que, dos que estavam fazendo apenas tratamento clínico, 32% precisaram passar também pela angioplastia.
Segundo ele, o grupo de pacientes do estudo Courage foi sendo selecionado ao longo do tempo, permanecendo aqueles que estavam com situação mais estável, encerrando-se com 6% do volume inicial. São pacientes extremamente selecionados, diferente dos que procuram os serviços cardiológicos, muitos deles obesos, diabéticos, fumantes, ponderou. O resultado de modo algum pode ser extrapolado para a realidade de nossos pacientes, dizendo que a intervenção e o stent não têm seus benefícios.
O cardiologista destacou que o stent, principalmente o farmacológico, foi um dos grandes avanços do setor. Atualmente, quase 6 mil pessoas são submetidas mensalmente à angioplastia no Brasil, a maioria absoluta com colocação do equipamento. Todas as ações são embasadas pela literatura internacional e por diretrizes da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), disse. É verdade que o procedimento ainda é caro, mas a segurança é comprovada.


