Para o cardiologista responsável pela Divisão de Risco Cardiovascular da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), André Langowiski, o grande impacto da negligência dos homens com a ida preventiva aos médicos se dá em função das doenças silenciosas. "Colesterol e hipertensão são doenças assintomáticas que muitas vezes são descobertas após um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou em um infarto e ambas são facilmente controladas a partir de um acompanhamento", alertou.
Os dados do Ministério da Saúde reforçam isso, mostrando que as causas que mais matam os homens são as externas (acidentes de trânsito, violências), seguidas de doenças do aparelho circulatório, neoplasias e aparelho digestivo. "Em relação ao infarto, as mulheres têm uma vantagem na incidência até a menopausa, porque o estrogênio é um cardioprotetor. Depois, se igualam aos homens no risco", informou.

GAFE DE MINISTRO
Durante o lançamento dos guias voltados à saúde do homem, o ministro Ricardo Barros afirmou que os homens procuram menos os atendimentos médicos "porque trabalham mais, são os provedores da maioria das famílias, e não acham tempo para se dedicar à saúde preventiva".
Em entrevista à FOLHA, ele reconheceu o equívoco admitindo até "uma tripla jornada" enfrentada pelas mulheres que "mesmo assim não descuidam da prevenção e por isso elas e as famílias estão convocadas a sensibilizar os homens no Dia dos Pais a procurarem os médicos".
O ministro reforçou a importância de mudar a cultura de que "homens não precisam ir ao médico". "Creio que o espírito materno e do cuidado precisa ser usado pela mulher para levar o homem ao médico", acrescentou Barros.

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