Londrina - As semanas depois de um evento cardiovascular são especialmente importantes para a recuperação do paciente. São de quatro a seis semanas para cicatrizar a região, período em que a atividade física só é recomendada com orientação especializada. Por outro lado, praticar exercícios é fundamental até para combater sintomas psicológicos comuns a quem sofre trauma no coração - ansiedade, melancolia e depressão.
Segundo o cardiologista Ricardo José Rodrigues, de Londrina, 95% dos pacientes que sofreram um infarte ou angina sofrem de alteração de humor no primeiro ano, ''não necessariamente depressão'', mas ansiedade, melancolia ou distúrbio do sono. ''E fazer exercício nessa fase melhora muito a auto-estima, além do próprio coração'', ressalta o médico.
Dados do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, mostram, segundo a psicóloga clínica e hospitalar Jacqueline Barry Queirolo Rosa, de Londrina, que um ano depois de uma cirurgia cardíaca 30% dos pacientes deprimem. ''A grande maioria não busca terapia, mas é importante que o cuidador esteja atento'', afirma.
O exercício proporciona, por exemplo, a liberação de endorfina e serotonina, hormônios que dão a sensação de prazer. ''Também melhora a obesidade, o estresse e a sensação de impotência que muitas vezes esses pacientes têm, pessoas que normalmente são competitivas, têm a característica de serem líderes, e se vêem na condição de submisso, tendo que pedir para fazer essa ou aquela atividade'', avalia Rodrigues.
Se, de um lado, a prática de exercícios ajuda nos sintomas psicológicos, os físicos são (quase) óbvios: os primeiros benefícios são a disposição e uma qualidade melhor do sono, mas a personal trainer Magda Bombardelli, de Londrina, lembra que o exercício também melhora a circulação sanguínea e ajuda a baixar as taxas de colesterol, triglicérides e pressão arterial. ''Buscar o condicionamento físico em alguns casos pode fazer até com que a quantidade de medicação diminua'', afirma Magda.
''Mas não é qualquer caminhada no Zerão que vai trazer benefícios'', alerta a personal trainer, com especialização em reabilitação cardíaca e fisiologia do exercício. A atividade física para cardiopatas, também chamada de reabilitação cardíaca, deve, segundo ela, ser monitorada, mesmo depois do ecocardiograma e do teste de esforço, que ''liberam'' para a prática de exercícios. ''Às vezes, a pessoa vai caminhar e faz isso tão devagar, até pelo medo que tem de que alguma outra coisa aconteça, que não tem benefícios. Esse é um aluno que não pode ser exigido nem demais, nem de menos'', avalia.
Rodrigues lembra ainda que nessa fase o paciente também está mais exposto a arritmias cardíacas (alteração dos batimentos do coração), o que pede um acompanhamento.
''O professor também tem que saber identificar os sintomas de um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC), por exemplo, em que nem sempre o aluno apresenta alteração de pressão. E, se há um acompanhamento, o próprio professor exige que o aluno vá ao médico regularmente'', ressalta a personal.


Melhora a obesidade, o estresse e a sensação de impotência que muitas vezes
esses pacientes têm Ricardo José Rodrigues, cardiologista

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