Para impedir que a visita do papa João Paulo 2º fosse explorada politicamente, o cardeal-arcebispo do Rio, dom Eugenio Sales vetou o encontro do líder do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, com o chefe da Igreja Católica. Oficialmente, assessores do cardeal alegam que não havia espaço na agenda do pontífice.
Há duas semanas, dom Eugenio Sales condenou as agressões de sem-terra a fazendeiros e seguranças de uma fazenda no Paraná. ‘‘Não é possível aprovar uma atitude dessas, uma violência como a que foi mostrada pela televisão. O cardeal admitiu até que o papa pudesse falar sobre reforma agrária, ‘‘a partir da doutrina social da Igreja’’. Ele alegou ainda que o papa estará no Rio para falar de questões gerais que afetam a humanidade. ‘‘Ele não virá tratar de problemas específicos do País.
A favor do cardeal, os assessores alegam que na missa feita para cinco mil convidados, dia 4 de outubro, na Catedral Metropolitana, haverá a participação de população de rua, meninos abandonados, trabalhadores urbanos, agricultores e doentes.
Stédile fez o pedido para se encontrar com o papa em março, em carta enviada ao presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Lucas Moreira Neves. A idéia seria agradecer e pedir sua benção. A arquidiocese nega que esteja excluindo os sem-terra.
O MST deverá mandar representantes para o Rio, durante a visita do papa, para que sejam abençoados. João Paulo 2º só terá encontro reservado, na sexta-feira, dia 3, no Palácio Laranjeiras, com o presidente Fernando Henrique Cardoso. No encontro é possível que falem sobre o aborto e até sobre reforma agrária.

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