Cardeal vê duas religiões moldando o século XXI
Washington, 17 (AE-AP) - Cristianismo e Islamismo - e o que acontecer entre eles - resumirá mais a forma do próximo século do que as próprias nações, garante o arcebispo católico de Chicago, Francis Cardinal George.
Falando em uma conferência sobre as "Fronteiras da Mente no 21º Século", realizada na Biblioteca do Congresso, em Washington, George previu um declínio na importância dos governos nacionais.
"No próximo milênio, como o estado moderno será relativizado e a soberania nacional será deslocada em arranjos sociais ainda a serem inventado, será evidente que as principais religiões serão as verdadeiras portadoras de cultura", disse George.
"O diálogo entre Cristianismo e o Islã ainda está longe de ser considerado avançado, mas seu resultado determinará como será a cara do próximo século", acrescentou o arcebispo.
A visão de George sobre a importância do islamismo foi endossada pelo argelino Mohammed Arkoun, professor aposentado da história do pensamento islâmico na Sorbonne, em Paris.
"O Islã é importante por suas dimensões humanas", disse ele em uma entrevista. "Ele está presente em muitas sociedades (...). O Islã está em todos os lugares. O Islã e o Cristianismo são as únicas duas religiões que se esparramaram pelo mundo inteiro. O Judaísmo não avançou. E o Budismo tomou apenas a ásia"
Para Arkoun, "é por isso que é tão essencial a existência de um diálogo especial, de uma troca especial entre essas duas religiões sem negligenciar as outras religiões.
Michael Fishbane, que ensina estudos judaicos na Universidade de Chicago, criticou o que ele vê como muita ênfase em Catolicismo.
"Essa tese infelizmente divide o globo entre o Islã e o Catolicismo", disse ele depois da exposição. "Não leva em conta o Taoísmo, todas as formas de Confucionismo, todos os tipos de Cristianismo que existe na China e emergirá no próximo século".





