Cidade do Vaticano - O cardeal Carlo María Martini, arcebispo de Milão, festejou ontem seus 75 anos, idade na qual os bispos se afastam de sua diocese, o que não o exclui, no entanto, da lista de candidatos a suceder a João Paulo II.
Martini é um dos religiosos italianos mais estimados por sua cultura e idéias decididamente liberais. Segundo os especialistas em assuntos do Vaticano, é um dos favoritos à sucessão de Karol Wojtyla.
A igreja italiana, que conta com 22 cardeais eleitores no Sagrado Colégio Cardinalício, oferece apenas a um seleto grupo de candidatos a possibilidade de ocupar o trono pontifical. Para os especialistas, o arcebispo de Milão superaria, se realizado um conclave, os outros candidatos italianos, entre eles os cardeais Camillo Ruini, vigário de Roma, Dionigi Tettamanzi, arcebispo de Gênova, Giovanni Battista Re, ministro papal e o secretário de Estado do Vaticano, Angelo Sodano.
A questão da sucessão ainda é prematura, segundo o Vaticano, já que João Paulo II goza de relativa boa saúde possuindo uma determinação excepcional. Se ele morrer, os cardeais com direito a eleger seu sucessor poderiam decidir pela escolha de um Papa de transição, até se perfilar uma figura que possa administrar por longo tempo os destinos da Igreja.
As ‘‘possibilidades’’ para o cardeal Martini parecem boas nesse caso. Assim ocorreu com João XXIII, eleito aos 77 anos, e que, ao contrário do que se esperava, foi considerado um dos mais importantes pontífices do século XX, tendo convocado o Concílio Vaticano II, que renovou e modernizou completamente a Igreja.
Os grandes eleitores poderiam escolher também uma personalidade jovem, que reine tanto quanto João Paulo II, com o pontificado entre os mais longos da história, 24 anos. A lista de favoritos nesse caso se amplia, já que poderiam ser incluídos prelados de todos os continentes, como o poliglota Christoph Schönborn, arcebispo de Viena (57 anos) e o bósnio Vinko Puljic, entre os mais jovens, seguidos pelo hondurenho Oscar Rodríguez Maradiaga (59), músico, matemático e piloto de avião, o cubano Jaime Ortega y Alamino (65), o mexicano Norberto Rivera Carrera (63), entre outros.
Além dos latino-americanos, que começam a ter mais experiência nos assuntos da cúria romana, figuram Godfried Danneels, arcebispo de Bruxelas (68 anos), Miloslav Vlk (69), arcebispo de Praga, o vietnamita François Xavier Nguyen van Thuan (73), o nigeriano Francis Arinze (69), que poderá ser o primeiro Papa negro da história.

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