Rio, 20 (AE)- O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, condenou hoje a liberação do topless nas praias do Estado do Rio e a criação de áreas especiais para a prática do nudismo. "São uma idéias infelizes, que vem aumentar os males que nos afligem", disse ele. "Há tantos problemas a serem resolvidos por nossos governantes que eles não deveriam pensar em criar mais um, como este."
Dom Eugênio condenou também, mas com ressalvas, a ação dos soldados da Polícia Militar que usaram armas para prender a representante comercial Rosimeri Moura, que tomava sol sem o sutiã do biquíni na praia da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes, no último domingo. "Eles agiram para cumprir a lei e não podem ser condenados por isso", explicou o cardeal. "Mas erraram na forma porque agiram com violência."
Segundo dom Eugênio Sales, o topless e o nudismo são condenáveis porque expõem o corpo para fins pecaminosos. "Nosso corpo é sagrado, por ser o templo do espírito santo, e só poderia ser exposto para louvar a Deus", comentou. "Mas ninguém se desnuda com esse fim e sim visando ao pecado." Para dom Eugênio, liberdades como essa rompem ainda mais "a tessitura moral da sociedade." Se o cardeal condena, o Estado libera, mas não vai tornar essa atitude oficialmente.
Em reunião que entrou pela noite de ontem, o secretário de Segurança do Estado, coronel Josias Quintal, e o governador Anthony Garotinho, desistiram de emitir qualquer documento orientando os policiais sobre como agir em relação ao topless. Eles consideraram desnecessário porque a determinação de não reprimir já está sendo cumprida.
Mesmo liberado, o topless é praticado com parcimônia nas praias do Rio. Só em alguns pontos, geralmente em frente aos grandes hotéis e por turistas estrangeiras ou modelos em busca de um lugar (literal e figurado) ao sol. A estilista Jacqueline de Biasi, da griffe Salinas, conta que nunca vendeu (nem houve procura) só a parte de baixo do biquíni. Ela produz 400 mil peças por ano, e vende 15% para a Portugal (onde o topless se chama maminhas ao léu) e Estados Unidos, mas sempre as duas peças, o sutiã e a calcinha.
"Na terra do fio dental, o topless não pega porque a brasileira tem mais atributos em baixo que em cima", brinca ela. "Na verdade, não é costume o topless em nossas praias porque nossa sensualidade é diferente da Europa, onde até avós o praticam sem essa conotação."

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