Cardeal diz que igreja só muda se for pressionada
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2005
Silvana Guaiume<br>Agência Estado 
Campinas- O cardeal dom Aloísio Lorscheider, arcebispo emérito de Aparecida, sugeriu ''pressão'' para mudar estruturas da igreja católica e convocou religiosos a propor debates durante a 5 Conferência-Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (Celam), que ocorre em 2007 no Santuário de Aparecida. ''Os caminhos não estão fechados, mas tem de haver pressão.'' Segundo ele, temas como direitos humanos e pluralidade religiosa deverão ser discutidos no encontro.
Questionado, o cardeal não soube dizer se mulheres, indígenas e africanos poderão participar da conferência. ''Não posso garantir, mas desejo que estejam presentes. Quem decide é a Santa Sé. Temos de dar sugestões'', insistiu. Ele lembrou que a ordenação de padres casados chegou a ser colocada em votação pelo papa Paulo VI em 1971, mas a maioria disse não.
''A questão não está excluída. O problema tem de ser levantado, assim como a ordenação de mulheres'', afirmou o cardeal. João Paulo II fechou a questão em seu pontificado, o que não quer dizer que não possa ser retomada agora, alegou.
Uma religiosa apontou que precisam ser revistas outras questões delicadas, como a participação efetiva na igreja de divorciados e seus filhos, além dos homossexuais, ''excluídos sem misericórdia dos sacramentos''. ''Você tem razão'', respondeu dom Lorscheider, acrescentando que ''os bispos ficam numa situação terrível porque não sabem o que fazer''. Ele insistiu que é preciso levantar esses problemas para, ''quem sabe, chegar a um bom resultado''. O cardeal criticou a centralização das decisões nas mãos do papa. ''Achava-se que assim não teríamos desordem e não é verdade. Sob o aspecto humano, sempre é bom que haja um pouco de desordem, equilíbrio entre a igreja santa e a pecadora''.
O religioso disse que as comunidades eclesiais de base são um caminho para a comunhão, mas afirmou que o partidarismo político é uma opção exclusiva dos leigos, no qual devem exercer sua influência católica.
Dom Lorscheider reconheceu que a igreja ''nem sempre deixa o vento da mudança entrar'', mas argumentou que ''as janelas querem ficar abertas''.


