Cardeal critica autorização para aborto de menina
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quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Silvio Barsetti Agência Estado Rio de Janeiro 
O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, condenou ontem a decisão do juiz Luiz Mangabeira Cardoso, de Sapucaia (RJ), de autorizar o aborto de M., de 11 anos, vítima de estupro. Não é atribuição do juiz dirimir quem deve ser assassinado: a mãe ou o feto, disse. A menina fez os exames laboratoriais no Instituto Municipal Fernando Magalhães no Rio e deve se submeter hoje a uma microcesariana.
Ela está bem mais calma e em condições de retirar o bebê, afirmou a diretora do Instituto, a pediatra Carmem Athayde. Carmem lembrou que o aborto de M. está respaldado em lei municipal e não quis comentar as declarações de dom Eugênio Sales.
Para o cardeal, o risco de vida quase insignificante de M. em levar adiante a gravidez é outro fator que deveria ser considerado. O valor da vida é intrinsecamente igual quer se trate da mãe quer se trate do feto, disse.
M. está numa enfermaria do Instituto acompanhada pela mãe, Maria da Penha Machado de Oliveira, e uma equipe de psicólogas e assistentes sociais que se revezam durante o dia. Ontem ela ganhou roupas e presentes de populares, incluindo um urso de pelúcia e uma boneca. A menina foi violentada em agosto.
ClínicaPoliciais da Corregedoria da Polícia Civil fecharam ontem uma clínica de aborto no Bairro de Bonsucesso, zona norte do Rio. O dono da clínica, o médico-anestesista José Luiz Qzada, e mais 18 pessoas - três atendentes e 15 mulheres grávidas - foram presos em flagrante. A Polícia recolheu no banheiro e no lixo material para aborto, amostras de placentas e fetos.


