Rio, 02 (AE) - Agentes carcerários da Penitenciária Esmeraldino Bandeira, em Bangu, zona oeste do Rio, entraram em greve hoje em protesto pela prisão do inspetor Márcio da Silva, acusado de facilitar a fuga do mafioso Mário Baratta e do assaltante Cláudio Bravo Brandão. As visitas foram canceladas e houve tensão no Complexo de Bangu, onde estão os presídios de segurança máxima. Parentes de presos protestaram contra a suspensão das visitas. O Batalhão de Choque da Polícia Militar foi enviado para o local.
"Todo mundo sabia que a fuga deles estava comprada há mais de 20 dias; se queriam impedir que fugissem porque não os transferiram para um presídio de segurança máxima?", questionava o presidente do Sindicato dos Servidores da Secretaria de Justiça, Francisco Rodrigues Rosa, garantindo a inocência de Silva. "As visitas estão suspensas até que o colega seja posto em liberdade", afirmou.
Para o presidente do sindicato, a prisão do inspetor foi uma tentativa de criar "uma cortina de fumaça", para desviar a opinião pública da "situação das penitenciárias" no Estado. "São 1.400 carcereiros para tomar conta de mais de 13 mil homens; não temos segurança", afirmou Rosa. Rodrigues e o secretário de Justiça do Rio de Janeiro, Sérgio Zveiter, se encontram à tarde para discutir a liberação do inspetor.
O diretor do Esmeraldino Bandeira, Carlos Alberto Duque, havia determinado que Baratta e Brandão ficasssem isolados, para evitar a fuga. Na manhã de sexta-feira, a cela estava vazia. Os dois teriam aberto um buraco na parede e fugido pela porta da frente. Brandão deu ordem de prisão em flagrante ao inspetor Silva, com o apoio do subsecretário para Assuntos Penitenciários
o delegado Milton Olivier.
Mafioso - O mafioso italiano Mário Baratta, de 49 anos, foi preso no Rio em 1997 por agentes federais da Interpol. Ele pertence à máfia calabresa (Ndrangheta), uma das mais violentas da Itália, e era procurado pela Justiça de seu país desde outubro de 1994, acusado de cerca de 100 assassinatos. Ele está sendo investigado pela CPI do Narcotráfico. O nome do mafioso consta no livro do Ministério do Interior italiano, que reúne os 500 homens mais procurados. No Brasil, Baratta cumpria pena de dois anos e três meses por falsificação de documentos. O outro fugitivo, Cláudio Bravo Brandão, estava preso por receptação, furto e porte de arma, condenado a quatro anos e quatro meses de detenção.

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