Carcereiro é preso pela PM com submetralhadora e pistolas
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quinta-feira, 09 de setembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 10 (AE) - O carcereiro Márcio Fernando Cunha, de 25 anos, foi preso hoje pela Polícia Militar com uma submetralhadora Uzi e duas pistolas semi-automáticas calibre 9 milímetros. Para escapar do flagrante, ele ofereceu as armas, um Gol e dinheiro aos PMs e, por isso, foi também autuado sob a acusação de corrupção ativa.
Cunha estava sendo procurado pela Justiça desde que fugiu, em 26 de abril de 1998, do Presídio Especial da Polícia Civil, no Carandiru, zona norte de São Paulo. O carcereiro estava num posto de gasolina, na margem da Rodovia Presidente Dutra, em Guararema, na Grande São Paulo. O último lugar onde o policial havia trabalhado antes de ser preso foi na Cadeia Pública de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP).
Na manhã de hoje, ele e um amigo pararam no posto Paratei. Estavam no Gol azul, placa JEL-7747, de Brasília. Quando entraram no bar do posto, despertaram a suspeita de funcionários do lugar, que chamaram a PM. Dois policiais militares receberam por rádio a ordem para averiguar o que estava ocorrendo e encontraram o carcereiro.
Ele foi abordado e, ao ser revistado, foi achada uma pistola semi-automática e um carregador, cheios de balas. O carcereiro identificou-se como policial e disse trabalhar na Cadeia Pública de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Mesmo assim, os PMs prosseguiram com o trabalho e foram verificar se havia mais armas no Gol. Acharam, então, uma outra pistola no porta-luvas do veículo e a submetralhadora numa mochila azul, onde também estavam mais dois carregadores para a Uzi. A mochila
segundo os PMs, estava no banco traseiro do carro.
O amigo que acompanhava o policial aproveitou o momento em que ele estava sendo revistado para fugir. De acordo com os PMs, quando percebeu que seria preso, o carcereiro ofereceu-lhes as armas como propina para deixá-lo livre. Os dois policiais chamaram reforço e mais uma equipe da PM, chefiada por um sargento, foi enviada ao local.
De acordo com esses policiais, o carcereiro também tentou suborná-los. Desta vez, além das armas, ofereceu-lhes o Gol e dinheiro. O sargento e os outros policiais não aceitaram a proposta do carcereiro. Eles prestaram depoimento na delegacia de Guararema, para onde levaram o carcereiro.
Lá, o delegado Marcos de Almeida Tourinho confirmou a prisão em flagrante do policial civil sob as acusações de porte ilegal de arma e de corrupção ativa. O Gol, as pistolas semi-automáticas e a submetralhadora foram apreendidos pelo delegado.
Até o início da noite de hoje, a polícia não tinha pistas sobre a identidade do amigo do carcereiro. O carcereiro deveria ser, provavelmente, enviado ao Presídio Especial da Polícia Civil. Além da prisão em flagrante, ele também responderá a mais um processo administrativo que pode fazê-lo ser expulso da polícia.


