São Paulo, 21 (AE) - O carcereiro Robson Caetano da Silva, de 25 anos, foi autuado na Delegacia de Polícia de Poá, Grande São Paulo, acusado de participação, com quatro assaltantes, no roubo de um caminhão carregado com 134 bobinas de tecido. O assalto ocorreu na Rua Miller, no Brás, na manhã de ontem. Dois dos ladrões, Luiz de França, de 32 anos, e Roberto Ramos, de 24, foram presos em Poá, onde guardavam a carga. Os outros dois fugiram.
O carcereiro, que trabalha no 19.º Distrito Policial, em Vila Maria, zona norte da capital, foi para Poá para tentar liberá-los e acabou sendo reconhecido pelo motorista Aparecido Pedrine Fernandes, de 40 anos, e seus dois ajudantes, como um dos ladrões. Recebeu voz de prisão na delegacia. Em seu carro, os policiais acharam um revólver sem registro e um distintivo de delegado de polícia, apreendidos.
O carcereiro nega participação no crime. Disse que, na hora do roubo, estava de plantão no 19.º DP, que fica a apenas poucos quilômetros do Brás. O delegado Ivaldo Rodrigues Teixeira
de Poá, declarou que o reconhecimento de Silva pelas vítimas "foi total". "Quando os três o viram, afirmaram que era um dos ladrões e não tiveram dúvida em nenhum momento", afirmou. "O carcereiro pode ter voltado para o 19.º DP depois do roubo".
Crime - Perto das 7 horas de quinta-feira, o motorista Fernandes e seus ajudantes foram tirados da cabine pelos assaltantes e postos numa Kombi. Depois, foram deixados em Osasco. Policiais civis de Poá, informados do assalto, acharam o caminhão, a Kombi e o depósito onde estava a mercadoria. Dois assaltantes fugiram mas Ramos e França acabaram presos.
A polícia identificou um dos que fugiram: Wagner Jose Reis, autor de assaltos. Do outro, soube apenas o apelido. Os dois presos têm passagem na polícia. Ramos, condenado por assaltos, fora beneficiado com o regime aberto, ano passado. França responde a inquérito por porte ilegal de arma. A Corregedoria da Polícia Civil vai instaurar processo administrativo para apurar a conduta do carcereiro e saber a quem pertence o distintivo de delegado que Silva alegou ter achado, sem dizer onde. A arma, disse ter comprado de um comerciante e ficou de revelar o nome.
O delegado Justino Matos Ramos, titular do 19.º DP, informou ao seu colega de Poá ter visto o carcereiro no distrito por volta das 8h30 da quinta-feira. Teixeira acredita que o carcereiro voltou em seguida para o trabalho, o que reforçaria seu álibi. Para justificar a ida a Poá, Silva declarou que atendia ao pedido de um amigo, para saber a situação dos presos. (Renato Lombardi)

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