Carcereiro é morto em tentativa de resgate na cadeia de Cajamar SP
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 21 (AE) - A tentativa de resgate de dois traficantes nigerianos terminou em tiroteio e morte na cadeia de Cajamar, na Grande São Paulo. Uma quadrilha invadiu a delegacia, matou o carcereiro Rubens Barbosa, de 46 anos, e só não conseguiu libertar os presos porque um guarda, pulando de um muro de 5 metros de altura, conseguiu avisar a Polícia Militar. Dois dos sete bandidos foram presos.
A ação da quadrilha começou às 2h20 de hoje, quando um casal de criminosos chegou à delegacia. Com quatro celas, em duas alas, a cadeia abrigava 105 presos num espaço planejado para 32. São assaltantes e traficantes detidos em Cajamar, Mairiporã e Guarulhos. Para vigiá-los, havia um carcereiro, um investigador e dois guardas-civis - um fazia a ronda externa do prédio e o outro ficava na guarita, sobre o muro.
O casal disse ao guarda Antônio Benedito Jóia que seu carro havia sido roubado na Rodovia Anhanguera, a 100 metros da delegacia. "Quando o investigador abriu a porta chegaram os outros cinco e nos dominaram", contou Jóia. Armados com pistolas semi-automáticas e espingardas calibre 12, os criminosos deram uma coronhada na cabeça do investigador Waldecir Bento de Souza.
Sem reação - Na sala ao lado da entrada estava o carcereiro Rubens Barbosa, de 46 anos, casado, um filho. Um dos criminosos acertou-lhe o peito. O bando queria que Barbosa abrisse as portas da cadeia, mas ele mal conseguiu dar alguns passos. O guarda foi obrigado a fazer isso. Como não sabia qual a era chave correta, foi espancado. Em seguida, o investigador teve de abri-las. A primeira chave que tentou serviu.
A quadrilha entrou no pátio interno. "Da guarita, vi perguntarem ao investigador onde eu estava", disse o guarda civil André Luiz Kortz. Pensando que Kortz estivesse dormindo, os criminosos não subiram até a guarita. Agachado, o guarda deixou o posto, pulou o muro e chamou a Polícia Militar. Quando o primeiro carro da PM chegou os criminosos correram. Já haviam aberto as portas das duas alas e preparavam-se para abrir a cela 3.
"O objetivo deles era libertar os traficantes Dike Henri (de 30 anos) e Ndulue Chima (de 35), ambos nigerianos", disse o delegado Antônio José Pereira, titular de Cajamar. Os bandidos abriram caminho a tiros de espingarda. Na fuga, abandonaram um Tempra roubado em Guarulhos. Parte da quadrilha escapou a pé, parte numa Kombi. A 50 metros da delegacia, os PMs detiveram Edmar Silva Chaves, de 23 anos, e Giomária Meires Rodrigues, de 25, que acertaram um tiro de raspão na perna esquerda do soldado do 26.º BPM José Bonifácio da Silva, de 32 anos.
De acordo com o delegado, Chaves e Giomária seriam autuados em flagrante por homicídio, tentativa de homicídio e tentativa de soltar presos. Com eles, os policiais apreenderam uma pistola 9 mm e a arma do carcereiro.


