Agência Estado
De Sorocaba
Um carcereiro foi morto, outros três, feitos reféns, sofreram torturas, e seis presos ficaram feridos, um deles em estado grave, durante uma rebelião, ontem, dos 512 detentos da Cadeia Pública de Sorocaba (SP). A revolta começou às 7h30, após uma tentativa de fuga, e só terminou às 17h30 horas. A cadeia, inaugurada há menos de três meses, com capacidade para 400 detentos, foi praticamente destruída. O saguão de acesso às alas, a carceragem e o almoxarifado foram incendiados. Hidrantes, armários e portas, arrancados e dezenas de cadeados, estourados.
Segundo a polícia, durante a contagem da manhã, cerca de 50 presos arrebentaram a grade do parlatório e saíram para o saguão. O carcereiro Paulo Francisco Zmijevski, de 36 anos, deu o alarme. Ele foi golpeado com um extintor de incêndio e trucidado com barras de ferro e estiletes. Gaúcho, Zmijevski estava em vias de deixar a polícia e voltar para o Sul.
O bando passou a incendiar o almoxarifado e a carceragem. Os carcereiros Luiz Gonzaga Batista, Gerson dos Santos Fischer e Reinaldo Stanengel de Barros foram dominados. Depois de abrir as celas das quatro alas, soltando todos os presos, os amotinados dirigiram-se para o xadrez do seguro, onde estavam 36 detentos jurados de morte. Um deles, Luciano Arruda, recebeu um tiro na barriga.
Os presos também tomaram como reféns seis menores que estavam sob custódia, numa cela anexa à carceragem. Encapuzados, eles brandiam facas e barras de ferro, fazendo barulho e desafiando a polícia.
Os rebeldes exigiam a transferência de 127 presos condenados, a ampliação no número de visitantes por preso, de 2 para 4, e o fim do uso do espelho na revista feminina. Parte das exigências foi atendida. Por volta das 15 horas, com a transferência de 12 presos para o regime semi-aberto, os rebelados soltaram os menores e o carcereiro Batista. Em seguida, foram transferidos outros 40 condenados e foi a vez do carcereiro Barros ser libertado.
O agente Fischer foi solto por último, em troca de garantias de que não haverá punições. Com a promessa de que serão mantidas as visitas no Natal e Ano-Novo, os rebelados decidiram voltar para as celas, permitindo a entrada da polícia.

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