Sorocaba, SP, 20 (AE) - Um carcereiro foi morto, outros três, feitos reféns, sofreram torturas, e seis presos ficaram feridos, um deles em estado grave, durante uma rebelião, hoje, dos 512 detentos da Cadeia Pública de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. A revolta começou às 7h30, após uma tentativa de fuga, e só terminou às 17h30 horas, depois da libertação do último refém. A cadeia, inaugurada há menos de três meses, com capacidade para 400 detentos, foi praticamente destruída. O saguão de acesso às alas, a carceragem e o almoxarifado foram incendiados. Hidrantes, armários e portas, arrancados e dezenas de cadeados, estourados. A Polícia Civil cercou o presídio, pondo atiradores em pontos estratégicos, com o apoio do helicóptero Pelicano.
Segundo a polícia, durante a contagem da manhã, cerca de 50 presos arrebentaram a grade do parlatório e saíram para o saguão. O carcereiro Paulo Francisco Zmijevski, de 36 anos, deu o alarme e tentou impedir a fuga. Ele foi golpeado com um extintor de incêndio e trucidado com barras de ferro e estiletes pelo grupo de presos.
Gaúcho, Zmijevski estava em vias de deixar a polícia e voltar para o Sul. Em seguida, o bando passou a incendiar o almoxarifado e a carceragem, usando colchões para espalhar o fogo. Os carcereiros Luiz Gonzaga Batista, Gerson dos Santos Fischer e Reinaldo Stanengel de Barros, que estavam nas alas internas, fazendo a contagem, foram dominados. Depois de abrir as celas das quatro alas, soltando todos os presos, os amotinados dirigiram-se para o xadrez do seguro, onde estavam 36 detentos jurados de morte. Um deles, Luciano Arruda, recebeu um tiro na barriga. Ele foi levado ao Hospital Regional de Sorocaba e, até o fim da tarde, continuava em estado grave.
Os presos Edson Cabral de Oliveira e Edmar Pereira Lima, feridos com pauladas e estiletes, estavam internados na Santa Casa de Misericórida de Sorocaba. Os detentos James Godói de Oliveira, Alcides Gomes de Oliveira e Edson da Costa Barbosa, espancados e feridos, foram medicados e voltaram para a cadeia. Os outros foram trancados numa cela e eram ameaçados de morte.
Os presos também tomaram como reféns seis menores que estavam sob custódia, numa cela anexa à carceragem. Encapuzados, eles brandiam facas e barras de ferro, fazendo barulho e desafiando a polícia. O delegado seccional Adilson Vieira Pinto e o juiz-corregedor de Sorocaba, Pedro Luís Alves de Carvalho, assumiram as negociações com os rebelados. "O objetivo é preservar a vida dos reféns", disse o juiz.
Os rebeldes exigiam a transferência de 127 presos condenados, a ampliação no número de visitantes por preso, de 2 para 4, e o fim do uso do espelho na revista feminina.
Parte das exigências foi atendida. Por volta das 15 horas, com a transferência de 12 presos para o regime semi-aberto, os rebelados soltaram os menores e o carcereiro Batista. Emocionado, ele disse que foi torturado com uma arma encostada na cabeça. Em seguida, foram transferidos outros 40 condenados e foi a vez do carcereiro Barros ser libertado. O agente Fischer foi solto por último, em troca de garantias de que não haverá punições. Os presos entregaram também dois revólveres calibre 32. Com a promessa de que serão mantidas as visitas no Natal e Ano Novo, os rebelados decidiram voltar para as celas, permitindo a entrada da polícia. Segundo o delegado Vieira, os líderes da rebelião vão responder a processos por homicídio, lesões corporais, resistência e danos. Parentes dos presos acompanhavam a movimentação do lado de fora. "Meu filho ia sair hoje, agora, nem sei onde ele está", dizia a dona de casa Terezinha da Conceição Bortoletto.

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