Londrina - Um dia depois da transferência de 50 presos para penitenciárias da cidade, o 2º Distrito Policial de Londrina, localizado na Zona Leste, já recebeu novos detentos. Trabalhar acima da capacidade é rotina na principal carceragem de distrito da cidade. Atualmente, nem mesmo os presídios escapam do problema da superlotação.
O 2º DP está hoje com 305 internos, ocupando um espaço projetado para 122. Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Márcio Amaro, a transferência deixou o clima ''mais tranquilo'' no distrito, o que torna mais ''improvável a ocorrência de uma rebelião.'' ''O problema é que essa foi apenas uma solução paliativa'', afirmou. De acordo com a Vara de Execuções Penal (VEP), liberações de presos são autorizadas diariamente. Não estão previstas novas transferências de grande porte para os próximos dias.
Segundo a assessoria da Secretaria de Justiça (Seju), a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) tem capacidade para 504 presos, a PEL II (antigo Centro de Detenção e Ressocialização) 908 e a Casa de Custódia, 272 vagas. No entanto, no dia 10 de abril, as carceragens abrigavam, respectivamente, 580, 932 e 373 detentos.
Nos distritos policiais a situação é ainda pior. No 3º DP há 83 presas em 36 vagas. Já no 4º DP são 44 em 24 vagas. No 5º são 47 presos para 24 vagas.
Para melhorar a situação carcerária em Londrina, a Seju planeja construir uma penitenciária feminina com 250 vagas e um presídio de regime semi-aberto com capacidade para 330 detentos. De acordo com a assessoria da Seju, um recurso federal de R$ 79 milhões deverá ser liberado dentro de um mês para a obra.
Mas para que a licitação seja feita é necessário que a administração municipal repasse dois terrenos ao Estado. A assessoria da Prefeitura informou que um dos espaços deve ser doado na próxima semana e outro está em fase de escrituração e provavelmente será repassado em 30 dias. Os dois terrenos ficam na Zona Sul.
A situação carcerária no restante do Estado também é problemática. O governo divulgou recentemente que as delegacias do Paraná alojam cerca de 15 mil presos, obrigando que 2 mil policiais trabalhem na custódia e carceragem.
A Seju planeja tirar das mãos da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) todos os 15 mil presos atuais nos próximos quatro anos. Para isso, novas penitenciárias e presídios devem ser construídos.

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