Rio, 04 (AE) - O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Emílio Carazzai, informou hoje que 13 empresas estrangeiras estão interessadas em investir no saneamento público no Brasil. Estes investimentos dependem ainda de definições legais, além da privatização das companhias de saneamento, explicou Carazzai, no 23º Congresso Mundial para Financiamento Habitacional, no Hotel Sheraton, em São Conrado, na zona sul do Rio.
De acordo com Carazzai, o interesse das empresas estrangeiras depende, para ser confirmado, da elaboração das leis que vão regular a sua atividade e da formação da Agência Nacional de águas, e da definição legal sobre qual circunscrição administrativa tem o poder de conceder licença para operação no setor: o Estado ou o município. O presidente da CEF evitou posicionar-se sobre a segunda questão, mas admitiu ser pessoalmente contra a "fragmentação" do serviço de saneamento, com cada município autorizando a operação de uma companhia de saneamento diferente.
De acordo com Carazzai, a Caixa Econômica dispõe de R$ 1 2 bilhão de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para investimentos em saneamento, que estão "contingenciados" por falta de empresas aptas para captar o dinheiro. Ele calcula que a CEF teria como dispor de mais R$ 1 bilhão para o setor. "Não seria difícil para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) arranjar mais R$ 2 bilhões", acrescentou o presidente da Caixa.
Habitação - Durante o congresso, Carrazai confirmou que a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano (Sedu) enviou para a CEF R$ 450 milhões de recursos do FGTS para aplicação em investimentos em habitação. O presidente esclareceu que como os recursos já estavam com a Sedu, não foi preciso nem aprovação do Conselho Curador do Fundo para o envio do dinheiro.
O presidente da Companhia Brasileira de Securitização (Cibrasen), Anésio Abdalla, anunciou hoje a realização de operação de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), no valor de R$ 100 milhões. Os títulos são baseados em dívidas de financiamento para a construção de imóveis.
Os CRIs vão ser baseados em promissórias da CEF, lastreados em 1.286 imóveis, a maior parte deles residenciais, afirmou Abdalla. Ele informou que os certificados serão comprados pelo Banco Itaú. É a terceira operação realizada pela Cibrasen, companhia criada para emitir estes títulos, uma nova forma de incentivar o mercado imobiliário.
As outras duas operações foram no valor de R$ 25 milhões. A intermediação da companhia diminui o risco destas operações, explicou Carazzai. No lançamento para o banco Itaú, as CRIs vão receber também um seguro de crédito, a ser feito pela Sasse, a seguradora da CEF, como forma de diminuir este risco.

mockup