Marcelo AlmeidaSem cansaçoKota Nakamura, 83 anos, percorreu 400 km para ver o casal imperialA ansiedade pela oportunidade única de ver de perto o casal imperial Akihito e Michiko, durante a festa organizada ontem pela comunidade japonesa no Parque Barigui, fez com que cerca de 300 pessoas superassem o frio e amanhecessem do lado de fora do pavilhão de exposições à espera da comitiva imperial.
Apesar de o início da festa estar marcado apenas para às 15h45, desde o início da manhã vários japoneses e descendentes formavam filas para disputar o melhor lugar no pavilhão, onde foi reservado espaço para 12 mil pessoas garantirem um contato mais próximo com o casal imperial.
Cerca de 40 ônibus, com placas de cidades do interior do Paraná e de São Paulo, lotavam o estacionamento do parque já no amanhecer. Nas filas, idosos nascidos no Japão misturavam-se a grupos de crianças que mal falam japonês, vindas para participar do coral de 350 vozes. Para todos, a vontade de participar da festa compensava o cansaço da viagem, o frio - que não permitiu o uso dos quimonos - e as horas de espera. A maioria deles saiu de sua cidade na noite anterior para conseguir chegar a tempo, e voltariam para casa assim que a festa acabasse.
Na bagagem, alguns traziam peças de roupas para substituir os trajes amassados durante a viagem, e lanches no estilo japonês, os ‘‘obênto’’, com sushis, bolinhos de arroz, peixe assado e verduras.
Um dos primeiros grupos a chegar veio de Maringá, numa excursão organizada pela igreja Seicho-no-Ie com mais de 40 pessoas, quase todas nascidas no Japão. Para ocasião, todos compraram bonés com o logomarca da visita e trouxeram bandeirinhas dos dois países. Para saudar o imperador, um dos líderes do grupo, Yoshio Shin-Ike, de 70 anos, orientava o grupo para agitar as bandeiras.
Um dos participantes mais velhos da festa era o agricultor Kota Nakamura, de 83 anos. Desde que veio para o Brasil, há 63 anos, ele mora na pequena cidade de Uraí, próxima a Londrina. Animado, o agricultor dizia não estar cansado, apesar da viagem de mais de 400 quilômetros que fez na companhia de outros 40 japoneses. Nakamura dizia estar muito feliz, e que ‘‘sabia’’ que ainda veria o imperador do Japão no Brasil. ‘‘Certeza eu não tinha, mas tinha esperança de que isto acontecesse um dia’’, afirmava.
De São José dos Pinhais, uma família de agricultores de oito pessoas alugou uma kombi para ir até o Barigui. Todos nascidos no Japão, levavam broches com o símbolo da visita e bandeiras para usar durante a festa. A família, que tem seguido todos os passos de Akihito deste que desembarcou em Curitiba, afirma que poder estar na presença do imperador é um grande acontecimento, que toca a alma do povo japonês. ‘‘É uma coisa inédita, que nunca pensei que pudesse acontecer’’, dizia o agricultor aposentado Tizo Tsuneda, de 72 anos.

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