Porto Feliz, SP, 24 (AE) - Cerca de 70 entidades, entre centrais de trabalhadores, sindicatos, paróquias e pastorais católicas, preparam uma caravana de solidariedade às cerca de mil famílias de sem-terra acampadas desde o dia 7 na Fazenda Engenho Dágua, em Porto Feliz, a 130 quilômetros de São Paulo. De acordo com João Paulo Rodrigues, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as entidades estão arrecadando alimentos, colchões e lona para distribuir às famílias. "A cota de alimentos das famílias, que dava para os primeiros 15 dias de acampamento, já se esgotou."
Os organizadores esperam reunir domingo (28) pelo menos 200 carros e ônibus. A caravana sairá do Memorial da América Latina, na Barra Funda, em São Paulo, às 10 horas, seguindo para Porto Feliz, pela Rodovia Castelo Branco. Os visitantes passarão o dia no acampamento Nova Canudos, como foi denominada a área ocupada. A caravana passará pelo centro de Porto Feliz, cidade que tem apoiado as famílias. O objetivo, segundo Rodrigues, é mostrar que os sem-terra acampados não estão sozinhos. "A luta é da sociedade", disse.
Mas há uma ordem de despejo dada no dia 8 pela juíza Daniela Bortoliero Ventrice, do Fórum local. O prazo para a saída voluntária venceu terça-feira (23), mas os sem-terra não querem deixar a fazenda. As lideranças, que na noite de terça não conseguiram reunir-se com a juíza, a convidaram hoje para visitar o acampamento.
A juíza decidiu esperar o julgamento, no Tribunal de Justiça do Estado, de um agravo de instrumento contra a liminar de despejo proposto pelos advogados do sem-terra. O despejo será executado pelo 40º. Batalhão da Polícia Militar, com sede em Votorantim, com apoio do Batalhão de Choque de São Paulo.

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