Caras-pintadas fazem passeata pedindo impeachment de Pitta
Caras-pintadas fazem passeata pedindo impeachment de Pitta15/Mar, 20:27 Por Ricardo Mendonça (especial para a AE) São Paulo, 15 (AE) - Os caras-pintadas estão de volta, mas numa nova versão. Com bandeiras nas mãos, apito na boca, espinha e tinta na cara, mais de mil estudantes, a maioria secundarista, participaram hoje da primeira passeata pelo impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), depois das denúncias de corrupção na administração municipal feitas na semana passada pela primeira-dama Nicéa Pitta, ex-mulher dele. Organizados por quatro entidades do movimento estudantil os neocara-pintadas concentraram-se a partir das 10 horas em frente da Câmara Municipal, no Viaduto Jacareí, protestaram contra os parlamentares governistas denunciados por Nicéa, fizeram a lavagem simbólica da Casa e seguiram caminhando até o Palácio das Indústrias, a sede da Prefeitura. Lá, foram barrados na Rua Mercúrio pelos mais de 200 homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) convocados para isso. A poucos metros do gabinete do prefeito, os estudantes queimaram um boneco de pano que simbolizava Celso Pitta e fizeram a segunda lavagem do dia, com água, sabão e vassouras fornecidas pelas entidades. As palavras de ordem também voltaram. Do alto de um carro de som, os líderes do movimento gritavam slogans do tipo "Aha, uhu, é Celso Pitta no Carandiru" ou "Ai, ai, ai, se balançar o Pitta cai". Apesar de não terem conseguido entrar sequer no estacionamento da Prefeitura, os organizadores do protesto acharam que o resultado da manifestação foi bom. O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Wadson Ribeiro, de 23 anos, repetia o tempo todo que a mobilização de hoje foi bem maior que as primeiras manifestações estudantis organizadas na época do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, no segundo semestre de 1992. Assim como Celso Pitta, Collor foi denunciado por alguém que era muito próximo do ex-presidente, o irmão Pedro Collor de Mello. As suspeitas de um esquema de corrupção no governo federal e na campanha eleitoral de 1989 fizeram com que a Câmara dos Deputados abrisse uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para averiguar o caso. Na época, milhares de estudantes saíram às ruas pedindo o impeachment de Collor, que, mais tarde, renunciou, mas não conseguiu evitar a votação na Câmara, que decidiu pelo afastamento dele. Nos protestos de hoje, os estudantes também pediam a abertura de uma CPI, mas, desta vez, na Câmara Municipal e com o objetivo de investigar as denúncias de Nicéa. A maioria dos estudantes que hoje pedia o impeachment de Celso Pitta e a CPI da Nicéa tinha entre 9 e 12 anos na época dos protestos contra Collor. Além de não ter participado das manifestações de 1992, os neocara-pintadas ouvidos pela reportagem pouco lembram do processo que resultou na saída de Collor da Presidência.





