Carandiru pode virar centro cultural
Agência Estado
Transformar uma área marcada pela exclusão social e por tragédias, como o massacre de 111 presos em 1992, num local de integração e valorização do homem. Esse é o objetivo principal do projeto vencedor do Concurso Nacional de Plano Diretor e Reurbanização da Área do Carandiru, promovido pela Secretaria Estadual da Administração Penitenciária e o Instituto dos Arquitetos do Brasil. O plano, elaborado pela equipe do arquiteto Roberto Aflalo Filho, prevê tornar o Complexo do Carandiru em um grande parque e centro de atividades culturais, profissionalizantes e de cursos destinados à população.
O empreendimento, orçado em R$ 140 milhões, propõe a transformação dos 427 mil metros quadrados do complexo. Enquanto parte das edificações será demolida para dar lugar a uma área verde de cerca de 380 mil metros quadrados, outra será reformada para o desenvolvimento de atividades culturais e profissionais. Na área da Casa de Detenção, os pavilhões não serão mais conhecidos por números, mas por temas: Criança, Cultura, Convivência, Natureza e Esportes.
No das Profissões, por exemplo serão desenvolvidos programas de iniciação e desenvolvimento profissional.
Não adianta fazer um desenho bonito quando o importante é concretizar uma boa idéia para a região e tornar o espaço viável, preservando seu uso institucional, diz Aflalo Filho. Antes de levar a idéia para a prancheta, ele entrou em contato com entidades como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Indústria (Sesi). Fizemos uma parceria para harmonizar o projeto arquitetônico e o objetivo institucional do novo espaço.
Por exigência do governo, o Pavilhão 9, palco do massacre de 1992, será demolido. No lugar, será proposta a construção de um teatro com capacidade para mil pessoas. Mas a história do presídio não será esquecida. Haverá um espaço para a construção do Museu do Carandiru. Também será preservada a Penitenciária do Estado, projetada pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo, no início do século. Deverão ser preservadas todas as atuais torres de observação dos muros.
Uma das grandes preocupações do arquiteto refere-se ao parque, que ocupará a maior parte do complexo e deve tornar-se um dos principais da cidade. Além da expansão da atual área verde, um pedaço original de mata atlântica entre a Casa de Detenção e a Penitenciária do Estado, foram projetados um bulevar, um lago e uma concha acústica. A área do presídio feminino dará lugar a um estacionamento com 800 vagas.





