Carandiru, o maior presídio da América Latina, será fechado hoje
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sábado, 14 de setembro de 2002
Alessandro Silva<br> Agência Folha 
São Paulo - O último ''bonde'' de presos parte amanhã, às 9h30, da maior cidade-prisão da América Latina. Levará consigo os derradeiros 76 moradores da Casa de Detenção de São Paulo, no complexo do Carandiru (zona norte). E pela primeira vez em 46 anos e quatro dias, após a saída deles, não vai ter risco de fuga, rebelião ou morte dentro dos pavilhões.
Cenário de tragédias como o massacre dos 111 detentos, em outubro de 92, e epicentro da maior rebelião da história do país, no ano passado, o fim do lugar era uma promessa que se arrastava por quase 20 anos, adiada várias vezes, entre outros motivos, por falta de dinheiro e explosão do número de presos no Estado.
''Não é a solução dos problemas carcerários (o fim da Detenção), mas é simbólico e emblemático'', afirma o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, 63, o primeiro a propor a desativação, quando era secretário da Justiça em 83.
Para entender o que isso significa é preciso caminhar pelos corredores dos sete pavilhões. As escadas ficam no escuro, não há vidros nas janelas das celas. São cinco andares por prédio. Venta forte e cheira mal. Há camas amontadas, suspensas com ferros e madeiras, como gavetas de móveis. Na Casa de Detenção poderiam morar no máximo 3.500 presos.
Hoje, após a saída dos detentos, o governador Geraldo Alckmin assina o decreto que extingue a Detenção. No lugar, será construído um parque público, com centro de cultura e formação profissional e áreas de lazer.
Os transferidos estão indo para prisões menores, mas que já funcionam superlotadas. O Estado tem um déficit de 27,5 mil vagas e 107,7 mil presos.


