Curitiba - Pesquisadores do Núcleo de Estudos do Comportamento Animal da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná vão propor, no início das aulas do segundo semestre, à Secretaria de Estado da Saúde, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), um trabalho conjunto para conter a proliferação em enorme quantidade de um tipo de caramujo, nativo da África, encontrado na área de proteção ambiental de Guaraqueçaba, que abrange as ilhas de Superagui, Peças e Ilha Rasa, e em Pontal do Paraná, no litoral.
Trata-se do molusco gigante africano (Achatina fulica), espécie que, no primeiro semestre deste ano foi encontrado em vários estados (ver texto na página). Além de transmitir vermes, que causam a angiostrongilíase meningoencefálica, doença que tem como sintomas dor de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso, o caramujo tornou-se uma praga. Ele destrói plantações, come frutas e legumes, além de competir com outros moluscos da fauna nativa, podendo levá-los à extinção.
A invasão desse caramujo no litoral foi constatada por alunos do curso de biologia da PUC do Paraná, que estudam a espécie. Segundo a coordenadora do núcleo, professora Marta Luciane Fischer, em 1994, a intenção é, ainda neste mês, aprofundar os estudos sobre a ocorrência do molusco no interior do Estado. ''Estamos buscando apoio para alimentação e transporte dos alunos para as viagens. Com o diagnóstico mais completo da situação no Paraná vamos procurar as autoridades'', explica.
Ela conta que o molusco africano é um problema em todo mundo. Após a 2 Guerra Mundial, ele foi disseminado numa tentativa frustrada de substituir o verdadeiro escargot (Helix aspersa), especialidade da culinária francesa. Acredita-se que chegou ao Brasil há cerca de 20 anos. Sem predador natural no País, a espécie acabou se proliferando e hoje é encontrada em quase todo o território nacional, principalmente no Nordeste. Apesar da gravidade do problema, só quatro estados desenvolvem ações de combate: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Aqui, Marta Luciane Fischer e seu aluno Eduardo Collley, que faz monografia sobre o asunto, coordenam os estudos.
Em apenas três dias em Guaraqueçaba, quatro pessoas recolheram 3.554 caramujos em 50 residências. Com os estudos já realizados, ela estima que existam cerca de 402 mil unidades do caracol em Pontal, e outros 63 mil em Guaraqueçaba. Apesar da grande quantidade, informações da comunidade local dão conta de que os moluscos estão há no máximo três anos no local. ''Quando a população é nova ela fica mais restrita à área urbana e o controle é bem mais fácil. O problema é quando ela vai para a mata nativa, daí é muito difícil conseguir sua extinção'', diz.
Ela acredita que os moluscos já estejam há mais tempo em áreas do interior do Estado, com destaque para a região de Londrina. Por isso, a sua intenção é conseguir apoio junto à Secretaria de Estado de Saúde para realizar cursos junto às autoridades sanitárias e à população sobre os perigos e meios de controle do molusco.

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