Captação de recursos externos mostram confiança do mercado
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 18 (AE) - Três captações externas realizadas nesta semana mostram como o mercado internacional está analisando o Brasil neste momento. As operações voltadas ao comércio exterior já estão bastante competitivas. Os custos, como demonstraram as emissões de US commercial paper dos dois bancos, estão na casa dos 2% ao ano, mais a variação da libor (juros referenciais da Inglaterra). Mas, segundo especialistas do mercado, o custo pode chegar a 2,5% para boa parte dos bancos que operam nesse mercado.
De acordo com o diretor responsável pela área externa no Unibanco, Carlos Henrique Catraio, o mercado para comércio exterior de hoje já está nos mesmos níveis de dezembro, considerando, apenas, as operações de um ano. "Por esse prazo já superamos o impacto da desvalorização", disse. O mesmo não vale para captações realizadas por prazos superiores, ou mesmo para outros tipos de operações, destacou.
Na quinta-feira, o Bradesco ampliou o programa de commercial paper nos Estados Unidos para US$ 250 milhões e o Itaú renovou por mais um ano um programa de US Commercial Paper que venceu no dia 18, de US$ 175 milhões. Valor que superou a emissão anterior - de US$ 150 milhões -, mas não contemplou a demanda do mercado, superior a US$ 200 milhões, segundo informações do banco. As duas operações foram de um ano.
Emissões - Os recursos captados por prazos superiores a um ano ainda estão extremamente escassos, mesmo para as operações de comércio exterior, em que os riscos são praticamente nulos. Afinal, os produtos exportados garantem que as empresas honrarão os financiamentos.
No caso de emissões de empresas e de bancos, a situação é diferente. O mercado reconhece que os investidores ainda estão arredios às captações de empresas e quem quisesse arriscar pagaria caro. O exemplo vem da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), que no início da semana concluiu uma operação de empréstimo sindicalizado (um financiamento) no valor de US$ 125 milhões, estruturada por um pool de bancos nacionais e estrangeiros. O custo da operação ficou em 13,92% ao ano.
Emitir papéis, por exemplo, seria extremamente oneroso. Na ponta do lápis, a empresa teria de pagar 12,95% ao ano, que era a taxa de retorno de um IDU (título da República com vencimento de um ano, que serve de benchmark por embutir o risco do País), mais um adicional para compensar o risco da própria empresa entre outros custos.
Também não está muito interessante para os bancos captarem, neste momento. Em primeiro lugar porque a queda acentuada das taxas de juros reduziu a possibilidade de ganhos com arbitragens. Depois, porque o custo ficaria tão elevado que as empresas de primeira linha não teria interesse em tomá-los emprestados e são justamente elas o foco de interesse das instituições. Vale destacar que a concessão de crédito se mantém seletiva.


