Sorocaba, SP - Cerca de 40 capivaras, adultos e filhotes, estão assustando os moradores do Residencial Lago da Boa Vista, condomínio de alto padrão na zona leste de Sorocaba. O grupo de roedores vive em um lago natural que dá nome ao condomínio e vem se multiplicando. O loteamento, construído há dois anos, tem 435 lotes e mais da metade já contam com residências.
Os moradores alegam que os animais invadem jardins e quintais, destróem as plantas e assustam as crianças. Uma moradora contou que seu cão foi atacado por uma capivara fêmea, com filhotes. O cachorro foi bastante ferido.
Mas a preocupação maior é com o risco da transmissão da febre maculosa, transmitida por um carrapato hospedeiro das capivaras. Alguns moradores encontraram vários carrapatos em suas casas e os recolheram para exames, constatando tratar-se do estrela, transmissor da doença.
O condomínio encaminhou pedido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a captura e remoção das capivaras, mas não teve sucesso. Segundo o órgão, são animais silvestres e não podem ser capturados antes de um estudo aprofundado sobre possíveis impactos.
A seção de Fauna do Ibama em São Paulo já faz um estudo sobre a ocorrência de capivaras em núcleos urbanos. Esses roedores, segundo o órgão, são generalistas, ou seja, adaptam-se facilmente aos mais diversos ambientes. Os moradores pretendem, agora, recorrer à Justiça, mas entre eles há os que defendem os animais. É o caso do biólogo José Gustavo Martins. ''As capivaras são uma atração e as crianças fazem festa quando as vêem.''
Os defensores dos bichos lembram que a Justiça, através da Curadoria do Meio Ambiente, pode questionar as licenças ambientais do condomínio. O comandante da Polícia Ambiental, capitão Leonardo Torres Ribeiro, disse que os animais não são invasores, pois o lago já era seu hábitat quando o condomínio foi construído.
Segundo ele, alguns espécimes são procedentes da lagoa do Parque Natural Chico Mendes, que fica próximo. As capivaras transitavam entre as duas áreas, mas, com a construção do muro que cerca a área residencial, um grupo ficou ilhado e acabou se reproduzindo no interior do condomínio.

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