Em 1984, o capitão Glauco de Oliveira, então com 28 anos, teve a carreira interrompida após sofrer um acidente provocada por um urubu. A ave quebrou o pára-brisa do caça F5 da Força Aérea no qual ele instruía um aluno. ''Após dez minutos de vôo, fizemos uma curva para direita e eu fiquei olhando o ponto de controle, à minha esquerda. Por isso não vi o pássaro do outro lado. Só me lembro de ter acordado na UTI perguntando porque estava vendo tudo escuro'', conta. O urubu atingiu o rosto de Oliveira, que perdeu a visão e teve de passar por cirurgias para recompor a face. Ele sobreviveu porque o aluno, hoje comandante da Varig, não ejetou-se. Mesmo ferido no pescoço, ele conseguiu reduzir a velocidade da aeronave e pousar.
O seminário é patrocinado por companhias como TAM, Gol, Líder e Varig, cujo novo presidente, Marcelo Bottini, participou da abertura. Só a Varig registrou 110 colisões este ano. O Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), é o recordista nacional. Foram 25 casos registrados no ano passado e 187 nos últimos cinco anos. Em seguida, vem Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, no Rio, com 17 colisões em 2005 e 141 desde 2000. Os casos vão de danos graves à fuselagem e pára-brisa a aves sugadas pelas turbinas.
''Nenhum desses incidentes chegou ao perigo de derrubar aeronaves. Não temos histórico de mortes no Brasil, mas o risco está presente. Não acreditamos na possibilidade de acidentes na aviação de grande porte porque há medidas sendo tomadas'', avalia o chefe do Cenipa, coronel aviador Mauro Teixeira. Ele comemora a tramitação adiantada de um projeto de lei no Senado que regulamenta a chamada área de segurança de aeroportos, que impede a construção de aterros sanitários e empreendimentos que atraiam aves num raio de 20 quilômetros. O desafio agora é conscientizar governos locais e comunidade.

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