São Paulo, 05 (AE) - O ex-oficial de gabinete da Administração Regional de São Mateus e, depois da regional da Penha, Fernando Martins Capitão, de 57 anos, negou hoje, em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), participação no esquema de recolhimento de propina. O esquema seria comandado pelo vereador Vicente Viscome (sem partido).
Foragido havia 20 dias, Capitão apresentou-se na manhã de hoje à polícia e depôs à tarde. Ele foi citado pelo fiscal Clóvis Feitosa de Araújo como um dos responsáveis pelo recolhimento de propinas e a entrega semanal de dinheiro ao vereador Viscome. O nome de Capitão também foi encontrado entre as anotações da assessora Tânia de Paula e ele chegou a ser citado pela assessora como integrante do esquema.
O ex-funcionário admitiu que acompanhava Viscome todos os fins de semana em vistoria pelo bairro da Penha para verificar a necessidade de obras na região. "Mas não sabia nada sobre corrupção." Ele contou atender moradores que reclamavam de buracos, terrenos baldios e sujeira nas ruas, além de transportae processos de fiscalização, embora nunca tenha tomado conhecimento do conteúdo. Capitão disse que faziam parte de suas atribuições comunicar ao administrador regional os serviços que precisavam ser feitos no bairro.
Capitão admitiu ter visto faixas com o nome de Vicente Viscome penduradas nas ruas mas nunca informou a irregularidade a seus superiores. "Não era minha área."
Inquéritos - Desde 11 de abril de 1997 Capitão responde a inquéritos civil e criminal, ainda em curso, por formação de quadrilha e bando, e estelionato. Ele presidia a Associação Pró-Moradia da Região de São Mateus, no Jardim Iguatemi. Trata-se de um loteamento irregular em uma área de 66 quilômetros quadrados, dividida em lotes de 5 por 20 metros.
O vereador Wadih Mutran (PPB), integrante da CPI, lembrou que, de acordo com Lei de Zoneamento, só é permitida a venda de glebas de 10 por 25 metros. Ao todo foram vendidos 340 lotes, por R$ 9 mil cada um. Segundo Capitão, Viscome não sabia do seu envolvimento no caso. Ele definiu seu relacionamento com o vereador como uma "amizade profissional".

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