Capitão da PM acusado de ser dono de desmanche
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quinta-feira, 20 de março de 1997
Agência Estado 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa que apura a atuação do crime organizado em São Paulo e acusou o capitão da PM Cleodir Fioravante Nardo de ser o proprietário de um desmanche de caminhões roubados, em Guarulhos, encaminhou ontem à Corregedoria da Polícia Militar documentos que comprovariam a ligação do oficial com o roubo de caminhões. Parte dos papéis foi apreendida no desmanche Scan Dutra, na Rua Fernando de Noronha.
A CPI solicitou a instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) contra o capitão. Enviamos as provas da ligação do oficial com os caminhões e peças roubados e também sua movimentação bancária, mostrando seu enriquecimento nos últimos dois anos, explicou o relator da CPI, deputado Eloi Pietá (PT).
Segundo Pietá, os documentos revelam que o capitão é o proprietário do desmanche. Ele nega, mas nenhuma das pessoas relacionadas como responsáveis pela Scan Dutra aparece tanto quanto o oficial da PM na contabilidade paralela, nas agendas e anotações, disse. Além da contabilidade, as contas telefônicas apreendidas na Scan Dutra mostram o contato constante por telefone que o oficial mantinha com a empresa.
Nardo foi ouvido pela Corregedoria no fim do ano e negou ter ligações com o desmanche. Afirmou que passava esporadicamente pelo local. O tenente-coronel João Rogério Felizardo, chefe de Operações da Corregedoria, disse que os indícios são fortes, mas faltam provas para a abertura do processo administrativo. A Corregedoria está esperando a chegada dos papéis da CPI.
Ontem, o capitão voltou a afirmar que é inocente e garantiu que vai provar não ter participação no desmanche de caminhões. Comprei cheques da Scan Dutra como faço desde 1982 com outras 14 empresas; nunca fiz nada de errado em toda a minha vida.


