Capitão dá folga a policiais que multam mais em SP
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2000
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 31 (AE) - De 1.º a 27 de janeiro, a quantidade de multas emitidas por um policial militar foi usada como um dos critérios para a distribuição de folgas como recompensa. A medida esteve em vigor em uma das companhias de policiamento de trânsito da cidade de São Paulo, que fiscalizava Santa Cecília, Santa Ifigênia, a Praça da República e a Praça Ramos.
A idéia foi do capitão José de Almeida Noronha, que comandava naquele período a 4.ª Companhia do 1.º Batalhão de Trânsito (BPTran). Ele disse que a medida não aumentou o número de multas, mas não soube informar quantas foram aplicadas em média, diariamente, após sua adoção. "Percebi apenas um aumento do número de veículos e de carteiras de motorista apreendidos." O comando do batalhão informou que vai apurar o caso.
O capitão não soube informar também se a maioria dos policiais que recebeu folga estava na lista dos que mais multaram. Mas um caso chama a atenção na lista. É o do soldado Sobrinho. Punido por causa do "desempenho negativo", ele foi obrigado a trabalhar um dia para cobrir a folga que um colega ganhou como recompensa.
Mas no período em que seu desempenho foi considerado "negativo", Sobrinho foi alvo de um elogio oficial do capitão, que o incluiu no Quadro de Valorização Pessoal da unidade - um painel onde são citados os policiais que se destacaram. No caso de Sobrinho, ele e o cabo Cezar (premiado com folga por desempenho positivo) prenderam um bandido que praticara um roubo no centro.
Por ano, o Estado arrecada R$ 323,5 milhões como multas de trânsito. Só em dezembro foram 51,3 milhões. Na cidade de São Paulo foram registradas 2.980.593 multas de janeiro a novembro de 1999 - a previsão era de que o ano fecharia com 3,2 milhões, número abaixo dos 3,3 milhões de 1998 e dos 3,4 milhões de 1997. Parte do dinheiro arrecadado com multas foi para a Prefeitura e parte para o governo estadual.
Atendimento - Além das multas, os policiais chefiado por Noronha também são avaliados pela quantidade de ocorrências atendidas - acidentes com vítima, acidentes sem vítima e atropelamentos -, pelo número de apreensões de documentos de carros, de carteiras de motorista e de veículos, pelo número de apoios dados à população, pela conservação dos veículos oficiais usados no trabalho e pelo não-cometimento de infrações de trânsito, como dirigir sem o cinto.
Noronha disse que cada um dos critérios tem um peso na nota final recebida pelo policial. Por exemplo: cada multa dada pelo PM tem peso 1 e cada revista em carro tem peso 3. Já o atendimento de um acidente com vítima tem peso 8. A cada erro, o PM perde o dobro do número de pontos que ia conquistar - se ele preencher errado uma multa, perde 2 pontos e 6 se revista mal um carro.
Segundo sua pontuação final, o policial recebe folgas na companhia e é substituído no trabalho por policiais de "desempenho fraco". Noronha deixou o 1.º BPTran na quinta-feira e foi para o 4.º BPTran, onde chefia outra companhia. Lá, pretende adotar seu método.


