Capitania intensifica fiscalização de ferryboat
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sexta-feira, 02 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Capitania dos Portos vai intensificar a partir de hoje as fiscalizações no ferryboat de Guaratuba, no litoral paranaense. A decisão foi tomada depois que a instituição foi notificada pelo Ministério Público (MP) estadual para que adote medidas corretivas que garantam a segurança de todos os carros e passageiros transportados na Baía de Guaratuba. A notificação oficial do MP foi feita depois de denúncias do engenheiro naval Orlando Felipe de Conceição, que teria sido contratado para fazer uma auditoria no sistema de transporte das embarcações a pedido do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
O resultado da auditoria realizada por ele detectou que as normas de segurança não estavam sendo cumpridas pela empresa F. Andreis que detém a concessão do ferryboat. Entre as irregularidades detectadas estariam a entrada e a saída de veículos nas embarcações com passageiros ainda no seu interior; a permanência de pessoas no interior de carros e caminhões durante a travessia; o transporte de veículos sem calços nas rodas; a circulação de passageiros entre os veículos, inclusive junto ao cabo de segurança, quando deveriam estar no convés de passageiros, onde estão os equipamentos de salvamento; e a ineficiência da rampa de madeira que liga o cais à plataforma flutuante de acesso as embarcações que seria escorregadia, facilitando a ocorrência de acidentes.
De acordo com o capitão de mar e guerra da Capitania dos Portos, Osmar Pedro da Cunha, a instituição, que é ligada ao Ministério da Marinha, faz inspeções navais periódicas no ferryboat para fazer com que todas as normas da autoridade marítima sejam cumpridas para as embarcações de travessia. Ele argumentou que sempre sentiu o ''empenho da concessionária em cumprir todas as determinais navais''. Cunha considera o ferryboat como seguro, principalmente no aspecto material e de qualificação de pessoal. ''Todas as embarcações estão com as vistorias em dia.''
O capitão disse que depois da notificação do MP, a Capitania dos Portos enviou fiscais duas vezes para vistorias nas embarcações. Teriam sido verificadas pequenas infrações na área de máquinas.
A auditoria encomendada pelo Tecpar, em parceria com a Paraná Metrologia, tinha como meta identificar irregularidades que pudessem ser sanadas no ferryboat de Guaratuba com o propósito de conquistar a ISO 9001. Na Paraná Metrologia, órgão vinculado indiretamente ao Tecpar e à Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia, a informação é que o caso está sub judice. Por orientação da assessoria jurídica, ninguém irá se pronunciar sobre o assunto. As duas empresas Tecpar e Paraná Metrologia prometem entrar com uma ação judicial contra o engenheiro por calúnia e difamação. É que o engenheiro Orlando Felipe de Conceição deu a entender ao MP, que já abriu inquérito civil, que existem irregulares no contrato realizado pelas entidades com ele e com a F. Andreis.
Conceição trabalhou na Superintendência Nacional da Marinha Mercante entre os anos de 1983 e 1987. Ele foi demitido por ''justa causa'' após ter denunciado formalmente corrupção ativa de diretores do órgão, todos eles eram ex-oficiais da Marinha do Brasil. Ele entrou na Justiça para tentar se reintegrar ao quadro de funcionários. A ação trabalhista está no 2º Tribunal Regional Federal (TRF).


