Agência Estado
A viagem da Nau Capitânea para Porto Seguro, que estava prevista para ontem, voltou a ser adiada por falta de estabilidade na embarcação, um problema básico mas que somente foi detectado pouco antes da partida inicialmente programada para quarta-feira. Segundo o almirante Domingos Castelo Branco, responsável pela nau, ainda faltam quatro das 14 toneladas de chumbo encomendadas de emergência a uma fábrica paulista para possibilitar a viagem da Nau Capitânea uma réplica da utilizada por Cabral em 1500.
Castelo Branco ainda está otimista em fazer a Nau Capitânea chegar a tempo de integrar as festividades dos 500 anos do descobrimento, embora tenha reprogramado a viagem para o início da manhã de segunda-feira. A utilização do chumbo para garantir a estabilidade da embarcação não havia sido incluída no projeto, apesar de sua importância como lastro para dar equilíbrio e possibilitar a navegação.
‘‘Logo que o restante do chumbo chegar vamos começar a colocá-lo, mas o trabalho leva tempo porque o material é instalado em pontos mais baixos do navio, em áreas de difícil acesso e tem de ser todo concretado’’, disse o almirante. Castelo Branco atribuiu o que vem sendo considerado o ‘‘vexame da festa’’ ao atraso na liberação de parte dos R$ 4 milhões investidos pelo governo federal em empresas na fabricação da Nau Capitânea. Como a velocidade do navio pode alcançar 12 km/hora, o almirante estima que a Nau Capitânea possa chegar a Porto Seguro em 35 ou 36 horas, no máximo. ‘‘Vamos correr atrás do prejuízo’’, disse.
O ‘‘prejuízo’’ ao qual se refere o almirante motivou o inquérito civil público instaurado pelo procurador da República na Bahia, João Fontes Júnior, para investigar as responsabilidades pelo fato de a embarcação ter ficado de fora da abertura da festa dos 500 anos. O procurador quer saber como foram gastos os cerca de R$ 4 milhões e quais as causas do atraso.

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