Capitalismo ameaça humanidade, diz Boff
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quinta-feira, 15 de março de 2007
France Presse 
San Jose- O filósofo brasileiro Leonardo Boff, um dos expoentes da Teologia da Libertação, advertiu ontem em San José que o desenvolvimento do sistema capitalista, que, segundo ele, submeteu os recursos naturais do planeta a uma exploração brutal, poderia levar ao desaparecimento da espécie humana.
''Há 300 anos vivemos num sistema que explora sistematicamente todos os recursos da terra e esta já não aguenta mais'', declarou Boff, que ontem ministrou aula para inaugurar o ano letivo de 2007 da Universidade da Costa Rica.
Leonardo Boff, de 68 anos, também ex-sacerdote, foi condenado ao silêncio em 1985 pelo agora Papa Bento XVI que, na época, era Prefeito da Doutrina da Fé. Na aula, ele emocionou estudantes e professores que se reuniram no auditório da Faculdade de Direito, e aos que assistiam à aula pelo telão do lado de fora da faculdade. Disse que há alguns anos os cientistas falam do perigo de estarmos caminhando para uma crise climática de dramáticas consequências, ''mas de repente nos demos conta de que não vamos para a crise, mas já estamos imersos nela''.
Boff lembrou que em fevereiro passado um grupo de cientistas convocados pelas Nações Unidas em Paris destacou que a exploração irracional dos recursos naturais e o efeito estufa poderiam provocar mudanças de temperatura de entre 1,8 grau Celsius e 6,4 graus em diversas regiões do planeta nas próximas décadas.
''Uma mudança de temperatura desse nível poderia provocar a devastação de milhões de seres humanos. Fala-se de desertificação de imensas regiões da selva amazônica. Um cientista nos dizia que o sol de que agora gozamos no Brasil seria a pior desgraça para o Brasil'', explicou o pensador, para exemplificar as consequências da mudança climática.


