Capital para emergentes deve encolher em 99 Do enviado especial Rolf Kuntz (assinatura obrigatória)
Davos, 02 (AE) - O capital estrangeiro para a América Latina vai ficar escasso neste ano, segundo o Instituto de Finança Internacional (IFI), dos Estados Unidos, um organismo vinculado aos principais grupos do sistema financeiro.
O financiamento externo líquido, incluídas operações de crédito e de investimento, deve cair de US$ 100,3 bilhões em 1998 para US$ 69,6 bilhões em 1999. O fluxo de capitais privados para a região deve diminuir de US$ 87,6 bilhões para US$ 54 bilhões neste ano, metade do registrado em 1997, US$ 106 bilhões. O cálculo "reflete a expectativa de que algumas instituições financeiras buscarão reduzir seu envolvimento no Brasil", embora "provavelmente continuem substanciais fluxos para aplicação em ações", segundo o relatório do IFI.
O Produto Interno Bruto da América Latina deverá cair 0,1%, ante crescimento de 2,2% em 98, segundo o relatório. Uma contração de 3,5% é projetada para o Brasil, como consequência das medidas para baixar o déficit público e da elevação dos juros.
O IFI estima para o Brasil, neste ano, um déficit de US$ 23 bilhões na conta corrente do balanço de pagamentos. As transações correntes incluem o saldo da balança comercial (mercadorias), de serviços (juros, viagens, fretes, seguros, lucros e royalties) e transferências unilaterais (por exemplo, remessas de imigrantes). O déficit, em 98, foi de US$ 35 bilhões.
O relatório do IFI menciona a desvalorização da moeda, favoravel à exportação, e o menor crescimento da economia como fatores propícios à redução do déficit externo. A projeção é pouco menor que o número indicado originalmente pelo governo brasileiro e pelo FMI: cerca de US$ 24 bilhões. A projeção indicada no acordo foi feita em 98 e pressupunha um ajuste de câmbio próximo de 7%, neste ano, descontada a inflação.
As projeções do IFI admitem como hipótese que o governo terá apoio no Congresso para as medidas de ajuste, manterá a política monetária apertada e estabilizará a moeda e os mercados financeiros. Se a situação brasileira piorar, poderá haver forte impacto negativo em outros mercados emergentes. Na melhor hipótese, as dificuldades brasileiras deverão refletir-se em outros países latino-americanos, particularmente na Argentina. Baixos preços de produtos básicos também devem criar dificuldades.
As perspectivas da ásia são melhores que as da América Latina em 1999, segundo o relatório do IFI. O crescimento do PIB na região da ásia-Pacífico passará de 0,9% em 1998 para 4,4% neste ano. As cinco economias atingidas pela crise financeira - Coréia do Sul, Indonésia, Malásia, Tailândia e Filipinas - deverão ter mais uma contração econômica de 0,4%, depois de uma recessão de 7,6% em 98. As médias encobrem evoluções bastante diferenciadas. Na China, o crescimento do PIB deverá passar de 7,5% para 8%. A Coréia do Sul e a Malásia deverão sair de uma queda de 5% em 98 para um aumento de produção de 2% a 3% neste ano. Indonésia e Tailândia deverão continuar com redução do PIB, mas bem menos acentuada que em 98.
Para o IFI, o financiamento externo líquido para a ásia- Pacífico deverá diminuir de US$ 47,4 bilhões para US$ 41 bilhões, mas os fluxos de capitais privados líquidos deverão crescer de US$ 15,8 bilhões para US$ 32,5 bilhões. O envolvimento dos bancos comerciais nas economias emergentes poderá diminuir mais US$ 8,2 bilhões, em 99, depois de haver encolhido US$ 9,7 bilhões em 98.





