Capital para emergentes deve encolher em 99
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terça-feira, 02 de fevereiro de 1999
Por Rolf Kuntz 
Davos, Suíça, 02 (AE) - O capital estrangeiro para a América Latina vai ficar escasso neste ano, segundo as projeções do Instituto de Finança Internacional (IFI), dos Estados Unidos, um organismo vinculado aos principais grupos do sistema financeiro. O financiamento externo líquido, incluídas operações de crédito e de investimento, deve cair de US$ 100,3 bilhões em 1998 para US$ 69,6 bilhões em 1999. O fluxo de capitais privados para a região deve diminuir de US$ 87,6 bilhões para US$ 54 bilhões neste ano, praticamente a metade do total registrado em 1997, US$ 106 bilhões.
Este cálculo "reflete basicamente a expectativa de que algumas instituições financeiras buscarão reduzir seu envolvimento no Brasil", embora "provavelmente continuem substanciais fluxos para aplicação em ações" no mercado brasileiro, segundo o relatório do IFI.
O Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina deverá cair 0 1% neste ano, depois de um crescimento de 2,2% em 1998, de acordo com o relatório. Uma contração de 3,5% é projetada para o Brasil como consequência das medidas para baixar o déficit público e da elevação dos juros depois da depreciação cambial.
O IFI estima para o Brasil, neste ano, um déficit de US$ 23 bilhões na conta-corrente do balanço de pagamentos. As transações correntes incluem o saldo da balança comercial (mercadorias), de serviços (juros, viagens, fretes, seguros, lucros e royalties) e transferências unilaterais (por exemplo, remessas de imigrantes). O déficit, no ano passado, foi de cerca de US$ 35 bilhões.
O relatório do IFI menciona a desvalorização da moeda, favoravel à exportação, e o menor crescimento da economia como fatores propícios à redução do déficit externo. A projeção, no entanto, é pouco menor que o número indicado originalmente pelo governo brasileiro e pelo FMI, no acordo original: cerca de US$ 24 bilhões. A projeção indicada no acordo, porém, foi feita no ano passado e pressupunha um ajuste de câmbio próximo de 7%, neste ano, descontada a inflação.
As projeções do IFI admitem como hipótese, de modo geral, que o governo brasileiro terá apoio no Congresso para as medidas de ajuste, manterá uma política monetária apertada e conseguirá estabilizar a moeda e os mercados financeiros. Se a situação brasileira piorar, ressalvam os autores do relatório, poderá haver forte impacto negativo em outros mercados emergentes. Mesmo na melhor hipótese, porém, as dificuldades brasileiras deverão refletir-se em outros países latino-americanos, particularmente na Argentina, segundo o documento. Baixos preços de produtos básicos também deverão criar dificuldades para os mercados emergentes.
As perspectivas da ásia, porém, são melhores que as da América Latina em 1999, de acordo com o relatório do IFI. O crescimento do PIB na região da ásia-Pacífico passará de 0,9% em 1998 para 4 4% neste ano. As cinco economias atingidas pela crise financeira - Coréia do Sul, Indonésia, Malásia, Tailândia e Filipinas - deverão ter mais uma contração econõmica de 0,4%, depois de uma recessão de 7,6% em 1998. As médias encobrem evoluções bastante diferenciadas. Na China, o crescimento do PIB deverá passar de 7 5% para 8%. A Coréia do Sul e a Malásia deverão sair de uma queda de 5% em 1998 para um aumento de produção entre 2% e 3% neste ano. Indonésia e Tailândia deverão continuar com redução do PIB, mas bem menos acentuada que no ano passado.
O financiamento externo líquido para a ásia-Pacífico deverá diminuir, segundo o IFI, de US$ 47,4 bilhões para US$ 41 bilhões
mas os fluxos de capitais privados, também líquidos, deverão crescer de US4 15,8 bilhões para US$ 32,5 bilhões.
O envolvimento dos bancos comerciais nas economias emergentes poderá diminuir mais US$ 8,2 bilhões, em 1999, depois de haver encolhido Us$ 9,7 bilhões em 1998. Os bancos, de acordo com o relatório, tenderão a ser mais cautelosos tanto nas operações com a América Latina quanto nos financiamentos a mercados da ásia.


