O óleo extraído do bom e velho capim-santo é muito eficaz para combater a cândida, o fungo mais frequente nas infecções hospitalares, que já apresenta algumas cepas (raças) resistentes às drogas mais usadas. A descoberta foi feita por Nelma Farias, formanda em medicina pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e vencedora do Prêmio Jovem Cientista deste ano na categoria estudante.
Nelma testou, in vitro, os efeitos contra a cândida de quatro óleos essenciais obtidos a partir de plantas medicinais: capim-santo, boldo, pitanga e arapicum-panã. Os óleos foram colocados sobre amostras de cândida obtidas de 20 pacientes hospitalizados com infecções sérias causadas por esse fungo.
Além do capim-santo, o óleo de boldo inibiu o crescimento do fungo em 100% das amostras testadas. Com o óleo diluído, porém, o capim- santo mostrou-se mais eficaz. Agora, outros dois pesquisadores da UFPB trabalham numa fórmula para combater a candidíase bucal a partir do capim-santo.
A grande vencedora do Prêmio Jovem Cientista deste ano foi Rosemeire Cobo Zanella, do Instituto Adolfo Lutz, primeiro lugar na categoria pesquisador graduado. Ela identificou o segmento de informação genética que torna duas cepas de bactérias do gênero Enterococos resistentes à vancomicina e provou que essa informação está num transposon, ou seja, uma sequência genética que pode passar de uma bactéria para outra, até mesmo de diferentes espécies.
As duas cepas foram isoladas em um grande hospital de São Paulo. Em 97, foi encontrada a primeira delas, causadora de um grande surto de infecção hospitalar em 98. ‘‘Ao longo do surto, observamos que o Enterococcus faecium resistente cedia lugar a outra espécie, o E. faecalis, também resistente’’, explica Rosemeire. Ela concluiu que uma espécie herdou da outra a resistência porque ambas tinham o mesmo transposon.
Graças ao controle feito por Rosemeire, sabe-se que as cepas resistentes não só não foram erradicadas como já migraram para seis grandes hospitais de São Paulo. ‘‘Essa informação é essencial para intensificar os cuidados a fim de evitar que os pacientes debilitados se infectem com essas cepas, que podem ser inofensivas em pessoas saudáveis’’, explica.

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