Brasília, 05 (AE) - A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão de financiamento da pós-graduação ligado ao Ministério da Educação (MEC), suspendeu, desde o mês passado, a concessão de bolsas de doutorado e pós-doutorado no Exterior. Os cortes também atingiram a liberação de recursos para que pesquisadores brasileiros participem de eventos científicos em outros países e ameaçam a compra de periódicos internacionais.
A decisão foi tomada por causa da desvalorização do real
que elevou as despesas do governo com estudantes fora do Brasil. De acordo com o diretor de Programas da Capes, Luiz Valcov Loureiro, o objetivo da medida é garantir o pagamento das bolsas concedidas a 1.537 estudantes brasileiros no exterior.
No ano passado, o governo investiu R$ 42 milhões nesse tipo de auxílio, mesmo valor previsto para 1999. "Mas a desvalorização do real quase dobrou nossas despesas com esses alunos", diz Loureiro. No caso do doutorado, a suspensão atinge apenas as bolsas da modalidade chamada sanduíche, em que a maior parte do curso é feita no País e o restante, por um período de até 18 meses, no exterior. Em 1998, foram concedidas caerca de 250 bolsas dessa modalidade, no valor mensal de US$ 1.100,00. A Capes paga ainda as passagens aéreas e as taxas cobradas pelas instituições estrangeiras.
Loureiro argumenta que os cursos de doutorado-sanduíche e os de pós-doutorado não estão presos a um calendário, de modo que podem começar em qualquer mês do ano. "São eventos reprogramáveis, que estão sendo apenas atrasados", afirma. "No contexto de um doutorado, dois ou três meses de espera não têm um impacto mortal."
Em relação ao doutorado pleno, com liberação de bolsas no segundo semestre, o diretor de Programas espera que não haja cortes ou suspensões. Segundo Loureiro, o governo estuda compensações aos órgãos federais que mantêm programas no exterior, como é o caso da Capes. Em 1999, o orçamento do órgão prevê R$ 389 milhões para bolsas no País e no exterior, incluindo uma gratificação para professores das escolas técnicas federais.
Também foi suspensa a compra de passagens áreas para que pesquisadores brasileiros participem de eventos científicos no exterior. Por ano, segundo Loureiro, 800 pesquisadores costumam viajar à custa do governo. As assinaturas de periódicos internacionais, renovadas no fim do ano, correm o risco de ser suspensas.

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