ARMENIA, Colômbia, 29 (AE-REUTERS) - A cidade do sudoeste colombiano mais afetada pelo terremoto de segunda-feira enfrentou um novo dia de caos nesta sexta-feira (29), quando a terra voltou a tremer e a forte presença de tropas não impediu novos saques promovidos por hordas de famintos.
Ao mesmo tempo, com a diminuição das pesadas chuvas que castigaram a área nos últimos dias, as equipes de resgate intensificaram os trabalhos e, até a noite, dezenas de corpos foram retirados das montanhas de escombros em que se transformaram dois terços dos edifícios da cidade.
Os socorristas já não têm esperanças de que haja sobreviventes sob as ruínas.
No começo da noite, a Cruz Vermelha informou ter resgatado 922 cadáveres de várias cidades da região abaladas pelo tremor de segunda-feira, que atingiu 6 graus na escala Richter. Os voluntários da entidade humanitária estimam que o número de mortos pode atingir 2 mil. Os feridos são 3.995 e os desabrigados, em 20 cidades, chegam a 250 mil.
Num reflexo do primeiro terremoto, um tremor de 3,9 graus na escala Richter abalou ainda mais as fundaçäes de alguns edifícios que resistiram ao primeiro abalo. Os moradores voltaram a viver situação de pânico, mas o terremoto de hoje não causou mortes.
O presidente da Colômbia, Andrés Pastrana, transferiu a sede do governo para Armenia, de onde tenta controlar a situação caótica. Desde hoje, vigora no país - já atormentado pela luta guerrilheira e pela violência promovida por grupos de narcotráfico - um "estado de emergência econômica e social", decretado por Pastrana para facilitar o esforço de aplicar recursos financeiros na região.
Na quarta-feira, depois de distúrbios entre saqueadores e forças de segurança, a região foi fortemente militarizada.
Mas as tropas não conseguiram evitar que cerca de 300 famintos avançassem sobre o armazém de alimentos montado pela Cruz Vermelha na cidade. A situação só foi controlada depois de os soldados terem disparado para o alto e lançado bombas de gás lacrimogêneo.

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