Caos no PAI revolta usuários do SUS
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de março de 2011
Paula Costa Bonini <br>Reportagem Local 
Londrina - O Pronto-Atendimento Infantil (PAI), de Londrina, foi palco de manifestações de pais de pacientes revoltados com a dificuldade para obter assistência na tarde de ontem. As maiores queixas foram em relação ao longo período de espera, que chegava a doze horas, e com a falta de médicos.
No início da tarde, dois médicos atendiam a demanda, mas por volta das 15 horas um deles foi embora. Funcionários informaram que ele teve uma crise nervosa e, por isso, precisou abandonar o plantão. Mais de cem senhas foram distribuídas no início da manhã e mais da metade das crianças ainda aguardava atendimento no meio da tarde.
A saída apontada pela administração municipal para minimizar a crise da saúde pública em Londrina é o pacote de projetos para a área, aprovado pela Câmara Municipal no mês passado, que prevê o remanejamento de cerca de R$ 5,5 milhões do Fundo Municipal de Saúde para, dentre outras medidas, contratar novos profissionais.
No entanto, o processo licitatório para contratação ''fracasssou'' ontem. As empresas interessadas foram consideradas inabilitadas devido ao índice de endividamento e por falta de atestados de capacidade técnica. Um novo edital deverá ser divulgado hoje, com previsão de abertura para o dia 6 de abril.
Ao que tudo indica, a crise da saúde pública vai se arrastar por mais um tempo. Para a professora Adriana da Silva Ramos, a situação é um desrespeito com a população. ''Nós somos seres humanos. Pagamos nossos impostos'', desabafou a mãe, que durante a tarde aguardava atendimento para o filho de 9 anos, que estava com inflamação de garaganta, havia mais de seis horas.
A faxineira Daniela Rocha estava sentada na calçada com o filho de 10 anos sem saber o que fazer. ''Ele está com suspeita de dengue, apresenta todos os sintomas. Moro no Jardim Leonor, onde não tem médico no posto. Eles encaminham a gente para cá, mas a situação aqui está péssima'', lamentou Daniela.
A atendente de padaria Lucimara Pícoli também enfrentou problemas na fila de espera do PAI. Ela buscou atendimento no PAI por volta das 20h30 de anteontem. ''Minha filha só foi atendida às 4 horas da manhã. Ela está com suspeita de pneumonia. Pediram para eu voltar, pois ela precisava fazer um raio-X. Fui embora e voltei hoje (ontem) bem cedo. Fizeram o exame às 9 horas e até agora (15 horas) estou aguardando o resultado'', relatou.
''A situação está só piorando. Precisamos lutar pelos nossos direitos'', bradava o administrador Marcos Ferreira, que estava acompanhando a filha de 1 ano. Ele ressaltou que com apenas um médico não seria possível atender toda a demanda. ''Quantos profissionais são necessários para atender todas essas crianças? A fila só aumenta e o número de médicos diminui'', revoltou-se.


