Caos em Timor Leste pode ser ameaça à economia indonésia
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segunda-feira, 06 de setembro de 1999
Por Grainne McCarthy 
Jacarta, 07 (AE-AP) - A deterioração da situação no Timor Leste ameaça minar a já combalida economia da Indonésia no momento em que o que ela menos precisa é de outro tremor, disseram analistas.
Apesar de que a situação em Timor Oriente tem sido problemática há anos e tem usualmente sido ignorada pelos mercados financeiros asiáticos, analistas afirmam que a escalada de violência pode levar emprestadores a cortar ajuda financeira para a Indonésia justo quando sua economia parece estar se reanimando.
No ano passado, a economia sofreu uma contração de 14 por cento e agora se apóia largamente em ajuda financeira internacional.
Outro colapso econômico na quarta nação mais populosa do mundo poderia desencadear o caos político na Indonésia no momento em que o país se prepara para eleições presidenciais em novembro. Ele também poderia sabotar uma recuperação mais ampla que é vivida pela região.
O Fundo Monetário Internacional, que está emprestando US$ 43 bilhões para a recuperação econômica da Indonésia, emitiu uma ameaça velada nesta segunda-feira, dizendo que o governo indonésio tem "todo interesse em ver o processo no Timor Leste se desenrolar sem percalços e violência, de acordo com as normas internacionalmente reconhecidas".
A advertência do FMI surge no momento em que financiadores internacionais da Indonésia estão sendo pressionados para congelar ajuda para Jacarta, cujo exército é acusado de apoiar as milícias assassinas que estão impondo um reino de terror na província desde que ela votou por ampla maioria na semana passada por se separar da Indonésia.
O Prêmio Nobel da Paz e ativista pela independência José Ramos Horta tem pedido a todos os doadores para punir a Indonésia cancelando novas ajudas.
O FMI e o Banco Mundial ainda não anunciaram explicitamente se, em vista da incapacidade de Jacarta de conter as milícias, irão congelar empréstimos, mas o coro de reclamações em todo mundo sobre a situação em Timor Leste tornará mais difícil para eles liberarem empréstimos, disseram autoridades.
"Obviamente, isto é uma questão política muito significativa", afirmou Ben Fisher, o coordenador do programa do Banco Mundial para o país, à Dow Jones Newswires.
Ele disse que apesar de não ter havido qualquer discussão sobre Timor Leste em nível de diretoria do Banco Mundial, "trata-se de uma questão extremamente relevante para a liderança do mundo, (e) vamos naturalmente querer respondê-la".
Doadores internacionais já afirmaram numa reunião em julho que iriam observar atentamente desdobramentos em Timor Leste que poderiam influenciar a liberação de novos empréstimos.
A moeda indonésia, a rupiah, abriu em baixa na segunda-feira enquanto o mercado digeria a violência do fim de semana em Timor Leste. A queda se intensificou depois que o premier australiano, John Howard, advertiu que futuros pagamentos à Indonésia sob o programa do FMI poderiam correr risco a menos que Jacarta contivesse o banho de sangue em Timor Leste.
A rupiah sofreu forte desvalorização no mercado asiático. Nas primeiras horas de hoje, ela tinha caído 4,4% contra o dólar americano, fixando-se em 8.140.
A Bolsa de Valores de Jacarta, também assustada com as consequências maiores da violência no Timor Leste, registrou uma queda de 4,4% na segunda-feira.
Analistas consideraram que uma suspensão de ajuda financeira ao país iria colocar mais pressão sobre a volátil rupiah.
"A rupiah é persistentemente vulnerável", disse Adrian Foster, economista da Nomura International em Hong Kong. "Qualquer abalo de confiança provoca fuga de capitais".
Song Sen Wun, economista do G.K. Goh em Cingapura, afirmou que enquanto o caos reinar em Timor Leste, "com certos setores dos militares certamente querendo criar o caos", aumenta o risco de fuga de capitais.
Companhias indonésias estão sufocadas com cerca de US$ 70 bilhões em dívida externa, uma carga que aumenta à medida que a rupiah se deprecia em relação ao dólar.
"No fim é uma questão de sensibilidade", disse Song. "Se realmente deixarem Timor Leste se incendiar, isto pode provocar um frio na espinha no mercado que poderia levar a uma queda brusca da rupiah para 10.000 em relação ao dólar americano".


