Skopje, 07 (AE-REUTERS) - Caos, confusão e mistério rondavam o destino de milhares de refugiados de Kosovo na noite desta quarta-feira (07), com a agência de refugiados da ONU alegando que cerca de 30.000 não estavam calculados ao longo da fronteira da Macedônia com a Sérvia.
Os Estados Unidos disseram à cada vez mais desesperada Macedônia que esta teria de aderir aos padrões internacionais ao negociar com os refugiados albaneses étnicos de Kosovo. Hoje, a Iugoslávia fechou as principais passagens de Kosovo para Macedônia e Albânia, interrompendo bruscamente o fluxo de refugiados.
Em Jazince, na fronteira macedônia, repórteres da Reuters viram a polícia iugoslava parando carros cheios de refugiados e os enviando de volta a Kosovo. O posto de fronteira de Morina, Albânia, por onde estimados 280.000 refugiados passaram nas duas últimas semanas, estava deserto.
O caos e a confusão reinaram quando funcionários responsáveis pelo assunto tentaram tomar posição de controle em relação à catástrofe humana.
A Otan informou que 912.000 albaneses étnicos deixaram suas casas em Kosovo no ano passado. As Nações Unidas informaram nesta quarta-feira que mais de 430.000 fugiram ou foram expulsos de Kosovo desde que a Otan iniciou seus ataques contra a Iugoslávia em 24 de março.
A Macedônia, localizada ao sul de Kosovo, clareou bruscamente um campo de refugiados contendo cerca de 40.000 pessoas, nas proximidades Blace, uma terra de ninguém localizada a cerca de 30 quilômetros da capital Skopje em acampamentos provisórios ou em ônibus para a Albânia.
Apenas pilhas de lixo e excrementos humanos permaneciam em um campo entre Macedônia e Iugoslávia, onde os refugiados subsistiam em degradação.
Em Genebra, o porta-voz para o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Paul Stromberg, disse não haver números exatos sobre os refugiados deslocados da região de Blace. Perguntado se o total ainda não estava estabelecido por volta de 30.000, ele respondeu: "Sim."
Autoridades macedônias impuseram severas restrições ao acesso das agências humanitárias ao local. Quando estas obtinham permissão para entrar, a prioridade era o fornecimento de comida e remédios. "Nossa última prioridade era o registro", disse Stromberg.
Ele disse que estimativas preliminares punham o número de refugiados que estavam no local para 60.000. Mais de 16.000 pareciam ter ido a um acampamento provisório e mais de 10.000 foram enviados de ônibus para a Albânia. Desta maneira, restam calcular 30.000.
A vice-primeira-ministra da Macedônia, Radmila Kiprijanova, disse em entrevista coletiva nesta quarta-feira que 119 ônibus levaram 9.500 pessoas para a Albânia durante a noite. Ela esperava enviar muitos milhares de avião à Alemanha.
Em Washington, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano James Rubin disse que os Estados Unidos entendiam o transtorno enfrentado pela Macedônia devido ao fluxo massivo de refugiados.
Mas ele disse: "Nós enviamos uma dura mensagem ao governo da Macedônia de que nós tomaremos os mais altos padrões das leis humanitárias e esperamos isto para sustentar as leis aceitas internacionalmente no tratamento de refugiados e procedimentos de evacuação."
Em Tirana, o porta-voz da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Andrea Angeli, disse que pelo menos 14.000 kosovares albeneses chegaram ao sudeste da Albânia nesta quarta-feira. "Eles são todos de Blace e mais estão vindo", afirmou.
O Acnur informou por meio de comunicado em Genebra que muitos refugiados foram deslocados contra seu desejo, acrescentando: "Alguns refugiados reclamam não apenas por não saber para onde estão indo, mas também por serem separados do resto de suas famílias."
"Nós ainda não sabemos quantas pessoas foram para onde", disse uma porta-voz do Acnur. "Será muito difícil para nós reunir essas famílias se elas estão sendo levadas para destinos desconhecidos."
Cenas de desespero foram vistas no campo de refugiados de Stenovec, Macedônia, onde o número de refugiados excedeu sua capacidade. "Por favor, ajudem-me a encontrar minha mãe", implorava um jovem - mantido à distância por policiais - a jornalistas e trabalhadores humanitários. "Ela está neste campo
mas não sabe onde eu e minha irmã estamos."
Governos ocidentais dizem ter compreendido as preocupações do governo macedônio, que tem considerável sentimento pró-sérvio por sua maioria eslava e teme que o influxo de albaneses étnicos e o consequente aumento de sua minoria albanesa de 20% provoque a desestabilização do Estado com 2,2 milhões de habitantes.

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